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SOCIAL MEDIA

Exausta

sábado, 29 de agosto de 2026

Foto tirada num passeio com o Freddie

Faz duas semanas que T. está internada e todos os dias, desde então, temos ido à casa de R. para levar Freddie pra passear e fazer companhia a ele. Chegamos ali pela tardinha e ficamos até umas 19:30h.

Não sei se todo mundo que me lê sabe, mas uns 3 anos atrás fui diagnosticada com TEA. Eu só recebi o diagnóstico e não soube (ainda não sei) o que fazer com a informação. Não faço tratamento, não tomo medicação especificamente pra isso (tomo antidepressivo e ansiolítico pra outros males), vou apenas vivendo como sempre, me sentindo uma pessoa “estranha”, que ninguém é capaz de entender.

Disso, tiro duas coisas que são muito caras pra mim: socialização e sair. Eu não posso de jeito algum ter tanto contato com pessoas, isso me drena completamente. Todos os dias, impossível. Preciso de muito tempo “sozinha”, na minha rotina, pra me manter regulada.

Sair é ruim pra mim. Não gosto de sair muito, na verdade, não gosto de sair quase nunca. Não sintam pena ou achem que isso é ruim, isso não me traz sofrimento, é o contrário. Se eu respeitar essas duas coisas, fico bem.

Dito isso, preciso falar que estou extremamente cansada. Não é “só” o cansaço físico, e muito também (talvez mais?) cansaço social. Ando me arrastando por aí, desanimada, mau humorada, sonolenta. Leio muito que pessoas como eu precisam conhecer seus limites e respeita-los, mas não creio que dê pra viver sempre no ideal, né? Não posso simplesmente negar ajuda a pessoas que precisam de mim, de ajuda, de apoio. Então, não é uma reclamação, é uma constatação, um aceitar que a vida não é um morango, como dizem. Tento me manter regulada o quanto posso, mas a gente não consegue controlar tudo e a vida também é passar por esses momentos.

Só espero muito que T. saia do hospital (ela já está bem, quanto a isso não há mais preocupação, o problema agora é burocrático, como sempre) e eu possa me regular o quanto antes.


P.S.:  exatamente hoje, T. recebeu a tão desejada alta e está muito bem. Eu, cansada, mas feliz!

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Sensível demais

sexta-feira, 28 de agosto de 2026



Se eu fosse contar quantas vezes eu tive uma verdadeira crise quando alguém me pergunta “tudo bem?”, não caberia nos dedos das duas mãos. Parece que meu cérebro entende como literal algo que as pessoas usam como interjeição de tratamento. 

Hoje, enquanto conversava com minha mãe no aplicativo de mensagens da família brasileira, e ela fez essa pergunta, eu caí num dos choros mais sentidos da vida. Se ela estivesse me vendo, provavelmente, ficaria assustada. Acho que qualquer pessoa ficaria. Não ajuda que eu tenha acordado 3:40h da madrugada e não conseguido mais dormir, mas ainda assim. Acho que tive um meltdown. Depois da crise fui dormir, acho que mais pra me anestesiar do que pra descansar. 

Não sei como faço pra não ter crises depois de as pessoas me perguntarem como estou sem realmente quererem saber o que estou sentindo. Não faço sentido nenhum.
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Off Campus

Contém spoiler, por sua conta e risco. 

Terminei Off Campus (Prime Video, 2026) e posso dizer que ela me ganhou! Eu não esperava nada demais, não conheço os livros em que foi inspirada, só li muitos comentários de todos os lados quando estreou e resolvi pagar pra ver, e valeu a pena.

É uma série que parece bobinha, à primeira vista, mas se aprofunda em temas pesados sem perder o ritmo com as questões mais leves, os atores estão ótimos e tem muita química, o que eu acho imprescindível. Assim que vi a Ella Bright (Hannah), a achei muito parecida com a Brooke Shields, lindíssima!


Mas minha personagem favorita é a Allie e quero ver muito mais dela! Acho que a atriz (Mika Abdalla) ajuda muito, ela é extremamente carismática, e também me lembrou outra atriz que eu adoro, a Mary Elizabeth Winstead. A Allie também é um personagem com muitas ~questões~, muito bem construída, bem complexa, coisa que adoro ver em personagens femininas. Sem contar esse cabelo maravilhoso que eu queria muito copiar, acho que o meu ficaria bem parecido, só teria que encontrar um cabeleireire que eu confie que vai me dar esse resultado (nunca irei atrás, preguiça).
Outra coisa que gostei bastante é que as pessoas TRANSAM, coisa que, como um ser sexual, gosto de ver, e, principalmente, por serem jovens transando, porque atualmente, os programas estão bastante “higienizados”, nesse sentido. Não que eu ache que eles não podem não querer fazer sexo, mas é, geralmente, uma fase em que as pessoas transam pra se encontrar, experimentar, e até mesmo pra ter certeza de que essa não é sua praia. Então, sim, eu gosto de programas que mostrem pessoas com tesão, esse é meu clube. E gosto de ver corpos nus, sorry not sorry.
Enfim, soube que a segunda temporada vai ser focada na Allie e no Dean, e já estou prontíssima pros dilemas da queridíssima! Pode vir!



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Inferno Astral

O inferno astral nunca foi ALGO na minha vida, eu só o citava quando acontecia algo chato às vésperas do dia que nasci e seguia em frente. Nunca senti que era algo super certo, que realmente existisse, como os milagres de São Longuinho, que é algo totalmente exato. São Longuinho é o meu “yo no creo en brujas, pero que las hay, las hay” porque, nas bruxas, eu acredito demais, agora crer em santos, de jeito nenhum. 

Mas enfim, inferno astral não tinha influência alguma na minha existência. Só que algo mudou, desde que meu pai morreu. Desde então, eu detesto comemorar meu aniversário. Nem tanto enquanto um bolinho na mesa, mas mais no estilo que ele mais gostava de comemorar, como confraternização. Não quero confraternizar com ninguém esse dia, além do meu núcleo familiar (mãe, irmãos e companheiro, e agora, minha sogra e sua irmã, família que ganhei como um bônus na vida). 

E a isso se somou uma crise próximo à data, por sentir que esperam de mim justamente essa confraternização e essa alegria em comemorar a vida, algo que não sinto desde a infância. É só que, depois que meu pai morreu, eu fiquei ainda mais antissocial (ou, desconfio, meus traços de TEA se agravaram). 

Tem lugares que não consigo mais frequentar e tem situações que me são insuportáveis, coisas que para outras pessoas, percebo, são super normais. Eu não gosto mais de ir a Mosqueiro, lugar que acredito ter sido o favorito da vida do meu pai, e não suporto mais ir na casa da minha avó materna, falecida, que agora é a casa da minha tia, por exemplo. Percebo que o resto da minha família não tem problema algum com isso, mas eu simplesmente não suporto mais frequentar. 

Enfim, faz 3 anos que não passo mais essa data da maneira que EU gostaria, e, principalmente, com a presença da minha mãe, que é o ponto que mais me pega, porque foi ela que me deu esse dia e a sua presença é essencial nessa data, e em trânsito, em lugares ou situações que não são as minhas ideais. E aí uma crise se instala nos dias anteriores, que nem são tão sentidas no dia em si, mas que me deixam péssima até ele. 

Eu diria que é mais um tipo de depressão pré-aniversário, atualmente. Fico realmente coisada, estranha, fora do ninho, que não é um lugar, é uma sensação. Crise de perguntar, sem ironia, “o que eu tô fazendo da minha vida?”. Eu não tenho respostas, não tenho uma análise, é só que estou passando por esse momento exatamente agora e queria colocar algo pra fora, nem que seja um amontoado de palavras sem sentido. Antes eu nunca vivi um inferno astral, agora eu realmente sinto que vivo, de outra forma, mas não menos impactante. Talvez, até mais.
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Ser do mundo, ser do interior

terça-feira, 13 de maio de 2025


Meu pai era um homem da natureza. Ele buscava sempre esse contato, nas férias em família nunca havia a opção de ir pro mundão, era sempre pra cidades menores, próximas, do interior do Pará. Mesmo quando em Fortaleza, em que moramos por um breve tempo, tenho lembranças, mesmo tão pequena, das estradas cheias de mato e casas humildes vez em quando. Ele era claramente um homem do interior.

Eu já sempre pensei que era alguém da cidade grande. Me chamava mais atenção e desejo as facilidades da vida do que estar em lugares em que o básico já é tudo. E talvez eu seja mesmo essa pessoa da cidade, pois foi onde me criei e usufrui das particularidades, mas esses tempos, coincidentemente quando em Fortaleza novamente, que me puxou mais pro interior, ou ao menos à praia, que era um lugar não tão bem quisto por mim, isso mudou um pouco. Me criei nas praias, sejam as de Fortaleza, sejam as de rio, em Belém. Meu pai era cria da praia, morou grande parte da vida no Marajó, um lugar cercado por água, já que é uma ilha. Eu fui criada na praia mais por esse amor dele pelo lugar do que por minha própria vontade e passei grande parte da vida adulta fugindo do sol & mar, meio que me sentindo exaurida desse ambiente, já que toda e qualquer oportunidade, lá estávamos nós na praia. 

Quando alguém falava em praia, eu já declinava, "não, obrigada". Então agora morando em Fortaleza, retornando ao meu lugar de nascimento, tenho sentido um amor indescritível por praias e pela ideia de singrar o interior. Não tenho nenhum desejo em conhecer a "América", ou mesmo a Europa, apesar desse segundo me chamar mais atenção, só que ando sonhando mais em conhecer a cadência local de sol & mar, as cidades menores. Soube que tem, no interior do Ceará, locais que tem clima de serra, faz frio! Que sonho estar no Ceará e precisar vestir casaco, tomar um chocolate qunte e sentir um clima bem mais ameno que o calorzão pelo qual o estado é conhecido. O melhor de dois mundos, não é? Então que agora me descubro uma grande apaixonada por essa seara que, por um bom tempo, eu fugi de ter contato. 

Acho que a idade vai trazendo essas novidades na gente, que nem imaginamos ser possível. Se alguém me dissesse, em 2020, que em breve eu estaria morando em Fortaleza e desejando uma vida no interior, diria que a pessoa só podia não me conhecer minimamente. Parece que, no final das contas, a gente também vai se (re)conhencendo com o tempo. E que bom que cabe tantas gentes aqui dentro.
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