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Contexto

quarta-feira, 9 de setembro de 2026

Hoje resolvi vir aqui meio que dar um contexto da minha vida, atualmente. Pra quem me conhece há mais tempo, sabe que "sou" de Belém. Eu não nasci lá, mas vamos dizer que, por um desvio de percurso, eu nasci em uma cidade completamente diferente da cidade onde toda a minha família mora. Na real, eu nasci em Fortaleza, mas todo ano íamos a Belém para visitar família, então sempre me senti em casa na cidade, até que nos mudamos de vez quando eu tinha uns 8 anos e, desde então, é "minha" cidade. Não tem como dizer que não, ás vezes, até esqueço que não nasci lá. 

Mas numa dessas reviravoltas da vida, onde eu estou morando atualmente? Fortaleza! Pois é, rodei rodei e acabei parando aqui mesmo. Eu acho muito doido isso, sabe? A vida, ela. O motivo principal é que me apaixonei, fui morar em Jundiaí no início da relação (ele morava em SP) e depois juntamos nossos trapos e resolvemos morar juntos. Só que São Paulo é uma cidade com o custo de vida muito alto, no momento, e não estava me sentindo feliz lá. Então, resolvemos vir pra Fortaleza, cidade onde está toda a família do G. e onde temos melhores oportunidades profissionais. 

Só que, no momento, estamos morando com outras pessoas, enquanto elas não se mudam pra casa que construíram para morar. E essa situação está acabando com meu psicológico. Porque duas das três pessoas são completamente diferentes de mim em tudo, e não tem a menor noção de convivência. Já não é fácil morar longe de qualquer familiar, ainda ter que aturar pessoas sem educação e que nem falam com você, é terrível. Chegou num nível que tenho tomado remédio para ansiedade, que é apenas eventual para quando tenho crise, praticamente todos os dias. 

Quis vir falar a respeito porque acredito muito no poder do desabafo, e também para que vocês entendam que, independente do que eu postar aqui, tem essa nuvem pairando na minha cabeça, que não me deixa em paz. Não vejo a hora de sermos apenas G. e eu, construindo nossa história e nosso lar. Por enquanto, isso parece o mais distante possível de acontecer, mesmo que cada dia esteja mais próximo desse sonho se realizar. Torçam por mim, uma fézinha sempre ajuda. Eu acredito.
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Exausta

sábado, 29 de agosto de 2026

Foto tirada num passeio com o Freddie

Faz duas semanas que T. está internada e todos os dias, desde então, temos ido à casa de R. para levar Freddie pra passear e fazer companhia a ele. Chegamos ali pela tardinha e ficamos até umas 19:30h.

Não sei se todo mundo que me lê sabe, mas uns 3 anos atrás fui diagnosticada com TEA. Eu só recebi o diagnóstico e não soube (ainda não sei) o que fazer com a informação. Não faço tratamento, não tomo medicação especificamente pra isso (tomo antidepressivo e ansiolítico pra outros males), vou apenas vivendo como sempre, me sentindo uma pessoa “estranha”, que ninguém é capaz de entender.

Disso, tiro duas coisas que são muito caras pra mim: socialização e sair. Eu não posso de jeito algum ter tanto contato com pessoas, isso me drena completamente. Todos os dias, impossível. Preciso de muito tempo “sozinha”, na minha rotina, pra me manter regulada.

Sair é ruim pra mim. Não gosto de sair muito, na verdade, não gosto de sair quase nunca. Não sintam pena ou achem que isso é ruim, isso não me traz sofrimento, é o contrário. Se eu respeitar essas duas coisas, fico bem.

Dito isso, preciso falar que estou extremamente cansada. Não é “só” o cansaço físico, e muito também (talvez mais?) cansaço social. Ando me arrastando por aí, desanimada, mau humorada, sonolenta. Leio muito que pessoas como eu precisam conhecer seus limites e respeita-los, mas não creio que dê pra viver sempre no ideal, né? Não posso simplesmente negar ajuda a pessoas que precisam de mim, de ajuda, de apoio. Então, não é uma reclamação, é uma constatação, um aceitar que a vida não é um morango, como dizem. Tento me manter regulada o quanto posso, mas a gente não consegue controlar tudo e a vida também é passar por esses momentos.

Só espero muito que T. saia do hospital (ela já está bem, quanto a isso não há mais preocupação, o problema agora é burocrático, como sempre) e eu possa começar a me regular logo.

P.S.:  exatamente hoje, T. recebeu a tão desejada alta e está muito bem. Eu, cansada, mas feliz!

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Sensível demais

sexta-feira, 28 de agosto de 2026


Se eu fosse contar quantas vezes eu tive uma verdadeira crise quando alguém me pergunta “tudo bem?”, não caberia nos dedos das duas mãos. Parece que meu cérebro entende como literal algo que as pessoas usam como interjeição de tratamento. 

Hoje, enquanto conversava com minha mãe no aplicativo de mensagens da família brasileira, e ela fez essa pergunta, eu caí num dos choros mais sentidos da vida. Se ela estivesse me vendo, provavelmente, ficaria assustada. Acho que qualquer pessoa ficaria. Não ajuda que eu tenha acordado 3:40h da madrugada e não conseguido mais dormir, mas ainda assim. Acho que tive um meltdown. Depois da crise fui dormir, acho que mais pra me anestesiar do que pra descansar. 

Não sei como faço pra não ter crises depois de as pessoas me perguntarem como estou sem realmente quererem saber o que estou sentindo. Nada faz sentido.
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Inferno Astral

O inferno astral nunca foi ALGO na minha vida, eu só o citava quando acontecia algo chato às vésperas do dia que nasci e seguia em frente. Nunca senti que era algo super certo, que realmente existisse, como os milagres de São Longuinho, que é algo totalmente exato. São Longuinho é o meu “yo no creo en brujas, pero que las hay, las hay” porque, nas bruxas, eu acredito demais, agora crer em santos, de jeito nenhum. 

Mas enfim, inferno astral não tinha influência alguma na minha existência. Só que algo mudou, desde que meu pai morreu. Desde então, eu detesto comemorar meu aniversário. Nem tanto enquanto um bolinho na mesa, mas mais no estilo que ele mais gostava de comemorar, como confraternização. Não quero confraternizar com ninguém esse dia, além do meu núcleo familiar (mãe, irmãos e companheiro, e agora, minha sogra e sua irmã, família que ganhei como um bônus na vida). 

E a isso se somou uma crise próximo à data, por sentir que esperam de mim justamente essa confraternização e essa alegria em comemorar a vida, algo que não sinto desde a infância. É só que, depois que meu pai morreu, eu fiquei ainda mais antissocial (ou, desconfio, meus traços de TEA se agravaram). 

Tem lugares que não consigo mais frequentar e tem situações que me são insuportáveis, coisas que para outras pessoas, percebo, são super normais. Eu não gosto mais de ir a Mosqueiro, lugar que acredito ter sido o favorito da vida do meu pai, e não suporto mais ir na casa da minha avó materna, falecida, que agora é a casa da minha tia, por exemplo. Percebo que o resto da minha família não tem problema algum com isso, mas eu simplesmente não suporto mais frequentar. 

Enfim, faz 3 anos que não passo mais essa data da maneira que EU gostaria, e, principalmente, com a presença da minha mãe, que é o ponto que mais me pega, porque foi ela que me deu esse dia e a sua presença é essencial nessa data, e em trânsito, em lugares ou situações que não são as minhas ideais. E aí uma crise se instala nos dias anteriores, que nem são tão sentidas no dia em si, mas que me deixam péssima até ele. 

Eu diria que é mais um tipo de depressão pré-aniversário, atualmente. Fico realmente coisada, estranha, fora do ninho, que não é um lugar, é uma sensação. Crise de perguntar, sem ironia, “o que eu tô fazendo da minha vida?”. Eu não tenho respostas, não tenho uma análise, é só que estou passando por esse momento exatamente agora e queria colocar algo pra fora, nem que seja um amontoado de palavras sem sentido. Antes eu nunca vivi um inferno astral, agora eu realmente sinto que vivo, de outra forma, mas não menos impactante. Talvez, até mais.
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Ser do mundo, ser do interior

terça-feira, 13 de maio de 2025


Meu pai era um homem da natureza. Ele buscava sempre esse contato, nas férias em família nunca havia a opção de ir pro mundão, era sempre pra cidades menores, próximas, do interior do Pará. Mesmo quando em Fortaleza, em que moramos por um breve tempo, tenho lembranças, mesmo tão pequena, das estradas cheias de mato e casas humildes vez em quando. Ele era claramente um homem do interior.

Eu já sempre pensei que era alguém da cidade grande. Me chamava mais atenção e desejo as facilidades da vida do que estar em lugares em que o básico já é tudo. E talvez eu seja mesmo essa pessoa da cidade, pois foi onde me criei e usufrui das particularidades, mas esses tempos, coincidentemente quando em Fortaleza novamente, que me puxou mais pro interior, ou ao menos à praia, que era um lugar não tão bem quisto por mim, isso mudou um pouco. Me criei nas praias, sejam as de Fortaleza, sejam as de rio, em Belém. Meu pai era cria da praia, morou grande parte da vida no Marajó, um lugar cercado por água, já que é uma ilha. Eu fui criada na praia mais por esse amor dele pelo lugar do que por minha própria vontade e passei grande parte da vida adulta fugindo do sol & mar, meio que me sentindo exaurida desse ambiente, já que toda e qualquer oportunidade, lá estávamos nós na praia. 

Quando alguém falava em praia, eu já declinava, "não, obrigada". Então agora morando em Fortaleza, retornando ao meu lugar de nascimento, tenho sentido um amor indescritível por praias e pela ideia de singrar o interior. Não tenho nenhum desejo em conhecer a "América", ou mesmo a Europa, apesar desse segundo me chamar mais atenção, só que ando sonhando mais em conhecer a cadência local de sol & mar, as cidades menores. Soube que tem, no interior do Ceará, locais que tem clima de serra, faz frio! Que sonho estar no Ceará e precisar vestir casaco, tomar um chocolate qunte e sentir um clima bem mais ameno que o calorzão pelo qual o estado é conhecido. O melhor de dois mundos, não é? Então que agora me descubro uma grande apaixonada por essa seara que, por um bom tempo, eu fugi de ter contato. 

Acho que a idade vai trazendo essas novidades na gente, que nem imaginamos ser possível. Se alguém me dissesse, em 2020, que em breve eu estaria morando em Fortaleza e desejando uma vida no interior, diria que a pessoa só podia não me conhecer minimamente. Parece que, no final das contas, a gente também vai se (re)conhencendo com o tempo. E que bom que cabe tantas gentes aqui dentro.
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Cada Um Sabe a Dor e a Delícia de Ser o Que É

domingo, 5 de maio de 2024

Às vezes, um pensamento perturbador me consome. O de que gostaria de ser a mulher que consegue viver um relacionamento de aparências. Acabei de me separar e não tem sido fácil. O fácil mesmo seria continuar como estava, mesmo com todas as frustrações. Mas eu sempre soube, e sempre comuniquei, que nunca ficaria com alguém se não fosse por amor. Amor puro e simples, direto. Até que meu amor não foi o bastante, milhões de outras coisas envolvem estar num relacionamento e isso dar certo.

Quando via filmes de mocinhas corajosas que enfrentavam tudo e todos em nome do amor (é, eu sei), ou qualquer outra coisa que as movia no movimento contrário ao esperado, me questionava se eu conseguiria ter essa coragem. Porque ir atrás dos próprios desejos, pra nós, mulheres, é sempre motivo pra perseguição. Muitas foram condenadas, inclusive, mortas. Continuam sendo, todos os dias. Ficava questionando porque eu nunca quis ser passiva, aceitar as coisas como são, viver pela metade. Mas o perigo sempre é tão grande, eu não ia querer morrer, e em nome de quê, afinal? E acabava concluindo que não conseguiria me pôr em risco dessa forma. Que iria acabar por me preservar.

O que eu não sabia era que tem algo dentro da gente que é exatamente quem a gente é, pra além de todas as convenções e expectativas. E, felizmente ou infelizmente, não consigo deixar de ser quem sou. Quem questiona, analisa, filosofa, pensa, deseja, não se contém. Acho que, agora, depois de ter mudado radicalmente, estar com a vida de cabeça pra baixo e estar disposta a lutar pelo meu futuro e independência, posso dizer que eu teria sim coragem. Eu seria como a Joanna D’Arc da minha própria vida, custasse o que custasse. Está custando e eu estou pagando, e não poderia fazer diferente.

P.S.: timing engraçado de ter começado esse post antes do show da Madonna em Copacabana, ter visto pela tv e, depois da catarse que rolou, termina-lo no dia seguinte ao evento que trouxe tanto no que pensar sobre liberdade. Parece que essa postagem fez ainda mais sentido pra mim. A arte salva mesmo, não é?

 

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"Eu so patetica"

quarta-feira, 10 de maio de 2023

Dias atrás eu entrei em crise, por causa de uma corrente do Instagram. Foi aquela mesma dos “personagens com a sua energia”. Uma coisa que preciso dizer sobre essa corrente é que nunca pensei em mostrar as qualidades dos personagens como a representação de quem sou. Era sempre guiada pelos defeitos, tipo o Chidi (com quem muito me identifico), de The Good Place, que é uma pessoa tão perfeccionista que muitas vezes trava por medo de fracassar (fico apavorada só de escrever essa palavra). Então, não era sobre ser 100% o personagem, mas sobre algumas características que eles tivessem que me fizessem sentir representada. E pensei logo nos defeitos. Por que se tem uma coisa que eu sou, é exigente comigo mesma e sempre acho que tô fazendo tudo errado, então é mais fácil elencar minhas imperfeições, sempre! 

Só que a primeira personagem que me veio a cabeça de colocar na minha lista foi a Fleabag. Se você fizer uma busca com o nome dela no meu perfil do twitter, vai me ver umas três vezes, no mínimo, comentando esse fato. Era uma coisa que eu confidenciava pro meu seleto grupo de seguidores com um pouco de vergonha, mas com muita sinceridade. E nunca vi ninguém falar isso na minha bolha, então eu realmente achava que tava passando vergonha na internet, que é algo que faço bastante. Nunca quis parecer legal quando falei sobre isso, porque eu definitivamente não sou legal. Não sou engraçada e espirituosa como ela, pelo contrário, sou séria demais. Mas tem uma coisa que eu sou demais Fleabag: perdida. Tudo que ela apronta é muito algo que eu faria. Eu amargaria lutos consecutivos como uma penitência. Teria daddy AND mommy issues. Sofreria com todas as lembranças da minha melhor amiga "suicida". Me apaixonaria pelo padre e alimentaria esse sentimento só pra me ver falhar em mais uma coisa. Não haveria controle pros problemas que arranjaria pra mim mesma (e há? #questões). Autodestrutiva, autossabotadora. Ninguém me ensinou a controlar. Aliás, é o contrário: me ensinaram tanto a me conter, me reprimir, me disseram tantas vezes que eu era "geniosa demais" que eu meio que virei um buraco negro. Não consigo mais me segurar. Tão intensa que nada me escapa, não sobra espaço pra refletir. Não quero mais perder nada, quero sentir e viver tudo. Também não vou fazer disso um momento de mea culpa em que percebo que não posso mais viver desse jeito e que vou me esforçar pra mudar, porque não vai adiantar. Talvez um dia eu consiga mudar isso, mas não vai ser hoje, nem amanhã. 

Então, ser a Fleabag, pra mim, era admitir que eu cometo muitos erros (mesmo que com algum carisma), admitir que sou muito humana, uma pessoa meio merda. Mas, então, apareceu uma, duas, dez pessoas se identificando com ela e eu entendi o recado: era bonito se identificar com a personagem! Aquilo me chocou demais! Dou um sorriso enquanto escrevo isso. Como somos patéticos, né? Entrei numa espiral de: se a visão que tenho de mim mesma é distorcida e a visão dos outros sobre mim também o é, QUEM EU SOU? Não posso com essas coisas muito filosóficas porque eu começo a viajar demais. Na época da faculdade, tive um semestre de filosofia e foi um sofrimento. Odiava as aulas, jurava que estava atrás de todo mundo porque nada fazia sentido, mas sempre tirava as melhores notas. O que prova que eu sou viajada demais mesmo, não é nem tipo. Tava me achando toda especial, o alecrim dourado, única (mas sem arrogância alguma, por favor, entendam), e pra quê? Ter um personagem que tem muita a sua vibe não é nada. Não tem uma lição aqui, apenas que no fim das contas, ninguém quer parecer comigo, e só eu pareço comigo mesma. Só eu tenho a minha energia em 100% do tempo. Então, isso tudo é pra concluir que essas porcarias de correntes acabaram pra mim (ou não, porque como vocês leram nesse texto, eu tenho umas atitudes meio merdas mesmo e segue em frente, né?)
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drops

segunda-feira, 24 de abril de 2023

Ontem tava olhando um vestido que não cabe em mim. Quando comprei, ele já era apertado. Ele é lindo mas não no meu corpo. Eu queria muito que ele servisse em mim, porque é bonito demais. Não consigo tirar ele do guarda-roupa pra dar pra outra pessoa. Seria meu vestido de princesa, se coubesse em mim.

Vi a adaptação de Sempre Vivemos No Castelo, de 2018, e não é que gostei? Achei uma vibes Wes Anderson, a fotografia muito bonita! Foi uma surpresa porque geral odiou, então fico feliz por isso. Eu gosto de gostar das coisas. Eu gostaria de ver algo mais obscuro? Gostaria, mas ainda assim fico satisfeita por essa versão existir. 

Outro dia, numa corrent no T, perguntaram qual celebridade cheio de tesão você deixaria entrar na sua casa. Sempre escolho o Brandon Flowers❤︎ pra qualquer questionamento que envolva beijos + alguém famoso + eu, só que me sinto meio triste de falar isso, porque além de ser algo que nunca vai se realizar, que bom que nunca vai se realizar? Não gostaria de magoar M., e talvez, só o fato de verbalizar isso, eu já o magoe um pouco (ele nem sabe da existência dessas questões de rede social)(pensamento 100% tirado dos meus pensamentos perturbados)(alor monogaminha!) 

Eu não faço mal pra ninguém, apenas pra mim mesma. E odeio isso! 

Algo que sempre vejo muitos reclamarem por aí são as pessoas mal educadas em cinema, mas sabe que aqui em Belém, ao menos no meu cinema de estimação (UCI de um shopping no quintal de casa) e eventuais outras salas que eu frequente, não tem disso? Parece que aqui as pessoas ainda respeitam o ambiente cinema, sabe? Acho isso fascinante. Me sinto um pouco sortuda, confesso. 

Tava vendo um filme com o Robin Williams (A Gaiola das Loucas, 1996, Prime Video) e fiquei melancólica, de repente. Um talento gigante desses se foi cedo demais. Eu o amava como aquele tio mais próximo que a gente sabe que sempre estará ao alcance de uma reunião de família. Amava ver ele em filmes, era um dos meus atores favoritos. Ele morreu em 2014, e pessoalmente, acredito que foi o início do fim, pra mim. Dos meus transtornos. Em 2014 eu comecei a sentir uma tristeza diferente, profunda, sentida. Um vislumbre, porque ainda não foi o primeiro ano que me desgraçou a vida(isso viria 2 anos depois, em 2016), mas deu uma mostrinha ali. E a morte dele foi a coisa que mais me deixou triste em 2014, desse jeito diferente. Estrelas cadentes. São as mais preciosas. 


P.S.: Como pode o Petkovic ter amaldiçoado uma população inteira com aquele "Animo galera tudo vai melhorar depois da copa 2014"???? #questões
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Hello 2021

quinta-feira, 8 de julho de 2021

 

Já perdi as contas de quantos blogs tive e quantos desativei. De quantos abandonei. Porque vivi aquela época pré-histórica de blogs pessoais, que foram morrendo ou se transformando em emprego. Sei que o mundo blogueiro não morreu porque eu ainda uso um agregador de postagens de blogs que gosto, e sempre tem gente disposta a colocar pra fora as coisas que sente, que vivencia, que gosta. Isso nunca morreu, de fato, como muita gente gosta de dizer.

Mas aos poucos a gente foi migrando pra redes sociais que se transmutaram e nos deram a ideia de que podíamos nos relacionar de outra forma, que aquilo era o blog do futuro. Até que a gente chegou no futuro, e depois de mais de milhões de transmutações, percebemos que não era nada daquilo. Os blogs sempre existiram, e acredito que sempre existirão, foi a gente que abandonou eles. Não dá pra ficar se lamentando por algo que nós mesmos deixamos pra trás.

Mas nem é sobre isso, é sobre essa vontade de voltar, de fazer o movimento reverso. Dar dois passos pra trás pra seguir em frente. Desde ano passado senti vontade de voltar, e voltei, mas as coisas vão seguir inconstantes por aqui, porque eu sou inconstante. Tenho meus altos e baixos, e entre um e outro vou tentando dar certo, de novo, nessa coisa de ter um blog. Então esse post é mais pra dizer que eu não desisti. Eu tô aqui e vou seguir tentando, como sigo tentando me manter viva e sã. Aos trancos e barrancos a gente consegue. A gente dorme e adorda num outro dia, que traz a esperança de que pode ser melhor, de que vamos dar conta de tudo que desejamos e precisamos. Eu tô aqui. Fica aqui comigo, também.
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Flor & Pitty

segunda-feira, 30 de novembro de 2020

A Flor chegou pra gente já na esteira de um luto: a perda da minha primera poodle, Baby. Digo chegou porque não escolhemos. Essa história nunca ficou muito clara, mas achamos que, meu pai, vendo a tristeza da minha mãe pela perda da outra cachorra(que era minha, mas tinha escolhido minha mãe pra ser tutora dela), se mancomunou com a mãe dele, minha querida avó Janda, e ela chegou coom a Flor, um dia, e disse que seria uma guarda compartilhada. Iria passar temporadas conosco, e outras com ela. Um filhotinho lindo e pequeno, que nos encantou imediatamente. E que nunca mais saiu da nossa casa. Chegou como Florzinha, mas logo nos acostumamos com apenas Flor. Ela se tornou a dona daquele lar, e dos nossos corações. Eu a criei, eduquei. Ensinei onde fazer xixi, cocô, a parar com um 'não'. Me apeguei a ela, mas era jovem, e tinha muitas coisas pra experenciar, então nesse primeiro momento não éramos tão próximas, eu vivia saindo de casa, vivendo a vida. Como a primeira dog, ela gostava mais da minha mãe, que dava seu gostoso almoço todos os dias, e estava sempre perto pois saía bem menos que eu, à época.

A Pitty também veio sem a gente esperar. Flor, então com 2 aninhos, ficou no cio, e sob os cuidados (ou descuidados, no caso) do meu irmão mais velho, numa saída da minha mãe, engravidou do poodle do meu tio, que veio numa visita. Não acompanhei a gravidez dela, pois já tinha saído de casa, a essa altura. Flor não foi uma boa mãe, como boa mimada que era. Não queria saber de dar de mamar pros filhotes, e num dia, em que ficou sozinha com eles, pois minha mãe precisou sair, um deles morreu. Minha mãe acha que a cã, num desses ímpetos da natureza selvagem que faz mães matarem os próprios filhotes por perceber que são fraquinhos demais, o matou. Mas nunca teremos certeza disso. Então nasceram 5 filhotes, sobrando 4, e todos foram doados, mas sobrou a Pitty. E quando finalmente alguém se interessou por ela, minha mãe já tinha se apegado demais, e não quis mais saber de doação, apenas ficou com ela.

Estreitei meus laços com as duas logo após a morte do meu pai. Minha mãe não queria ficar mais sozinha naquela casa, que tanto lembrava ele, e foi passar um tempo, até conseguir se organizar para alugar um canto, na casa da minha avó. Mas o local era pequeno, e minha avó não era muito fã de cachorros, então elas vieram ficar comigo e Maurinho, no nosso segundo kitnet, em dois anos de casados. Foi aí que o Maurinho também teve o coração irremediavelmente roubado por essas duas bolas de pêlo. Depois disso fomos morar com mamãe, todos juntos, e minha relação com a Flor se intensificou. Eu não vou saber colocar em palavras a nossa ligação. É aquele tipo de coisa que não tem explicação, nem lógica. Eu era louca por ela, ela era louca por mim. Eu dizia que ela era minha alma gêmea, de tão parecida que acabou ficando, comigo. Estava sempre me seguindo, aonde quer que fosse. Tivemos uma ligação que sei que nunca mais vou ter, com outro animal. Sem querer desmerecer qualquer sentimento, pois eu AMO animais, basta ver um, e já fico apegada. Sempre fui dos bichos, de me emocionar com filmes, ou resportagens acerca desses seres lindos e perfeitos. Cachorros em especial. Todo cachorro que eu tiver, vai ser muito amado e bem cuidado. Mas aquilo entre eu e a Flor, duvido que aconteça novamente, e é isso.

Então você imagina a dureza que foi, perder as duas, nesse 2020 sem misericórdia? Sou péssima para lidar com mortes, então a Flor deixou um buraco no meu peito, que não sei se vai sarar, algum dia. Aí me apeguei com a Pitty, sentindo que um pedaço da Flor ainda estava comigo. E então, ela adoeceu, e se foi, também. Sabíamos que a Pitty não duraria muito mais tempo, sem a Flor, por quem era intensamente apegada, pois não desmamou, né? Nunca ficou sozinha, Flor sempre foi sua companhia. Mas achávamos também que ainda teríamos um tempo maior, ao menos não ainda esse ano, pra passar por um novo luto. Escrevo com lágrimas escorrendo, pois está tudo ainda muito recente, mas sinto que precisava colocar isso em palavras, talvez pra exorcisar um pouco dessa dor. Não sei.

Amo vocês, minhas crianças. Espero que esse mundo não seja tão ruim como parece, e um dia, possamos nos reencontrar, e ser felizes e completas, novamente.

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