Contexto
quarta-feira, 9 de setembro de 2026
Exausta
sábado, 29 de agosto de 2026
Faz duas semanas que T. está internada e todos os dias, desde então, temos ido à casa de R. para levar Freddie pra passear e fazer companhia a ele. Chegamos ali pela tardinha e ficamos até umas 19:30h.
Não sei se todo mundo que me lê sabe, mas uns 3 anos atrás fui diagnosticada com TEA. Eu só recebi o diagnóstico e não soube (ainda não sei) o que fazer com a informação. Não faço tratamento, não tomo medicação especificamente pra isso (tomo antidepressivo e ansiolítico pra outros males), vou apenas vivendo como sempre, me sentindo uma pessoa “estranha”, que ninguém é capaz de entender.
Disso, tiro duas coisas que são muito caras pra mim: socialização e sair. Eu não posso de jeito algum ter tanto contato com pessoas, isso me drena completamente. Todos os dias, impossível. Preciso de muito tempo “sozinha”, na minha rotina, pra me manter regulada.
Sair é ruim pra mim. Não gosto de sair muito, na verdade, não gosto de sair quase nunca. Não sintam pena ou achem que isso é ruim, isso não me traz sofrimento, é o contrário. Se eu respeitar essas duas coisas, fico bem.
Dito isso, preciso falar que estou extremamente cansada. Não é “só” o cansaço físico, e muito também (talvez mais?) cansaço social. Ando me arrastando por aí, desanimada, mau humorada, sonolenta. Leio muito que pessoas como eu precisam conhecer seus limites e respeita-los, mas não creio que dê pra viver sempre no ideal, né? Não posso simplesmente negar ajuda a pessoas que precisam de mim, de ajuda, de apoio. Então, não é uma reclamação, é uma constatação, um aceitar que a vida não é um morango, como dizem. Tento me manter regulada o quanto posso, mas a gente não consegue controlar tudo e a vida também é passar por esses momentos.
Só espero muito que T. saia do hospital (ela já está bem, quanto a isso não há mais preocupação, o problema agora é burocrático, como sempre) e eu possa começar a me regular logo.
P.S.: exatamente hoje, T. recebeu a tão desejada alta e está muito bem. Eu, cansada, mas feliz!
Sensível demais
sexta-feira, 28 de agosto de 2026
Inferno Astral
Ser do mundo, ser do interior
terça-feira, 13 de maio de 2025
Cada Um Sabe a Dor e a Delícia de Ser o Que É
domingo, 5 de maio de 2024
Às vezes, um pensamento perturbador me consome. O de que gostaria de ser a mulher que consegue viver um relacionamento de aparências. Acabei de me separar e não tem sido fácil. O fácil mesmo seria continuar como estava, mesmo com todas as frustrações. Mas eu sempre soube, e sempre comuniquei, que nunca ficaria com alguém se não fosse por amor. Amor puro e simples, direto. Até que meu amor não foi o bastante, milhões de outras coisas envolvem estar num relacionamento e isso dar certo.
Quando via filmes de mocinhas corajosas que enfrentavam tudo e todos em nome do amor (é, eu sei), ou qualquer outra coisa que as movia no movimento contrário ao esperado, me questionava se eu conseguiria ter essa coragem. Porque ir atrás dos próprios desejos, pra nós, mulheres, é sempre motivo pra perseguição. Muitas foram condenadas, inclusive, mortas. Continuam sendo, todos os dias. Ficava questionando porque eu nunca quis ser passiva, aceitar as coisas como são, viver pela metade. Mas o perigo sempre é tão grande, eu não ia querer morrer, e em nome de quê, afinal? E acabava concluindo que não conseguiria me pôr em risco dessa forma. Que iria acabar por me preservar.
O que eu não sabia era que tem algo dentro da gente que é exatamente quem a gente é, pra além de todas as convenções e expectativas. E, felizmente ou infelizmente, não consigo deixar de ser quem sou. Quem questiona, analisa, filosofa, pensa, deseja, não se contém. Acho que, agora, depois de ter mudado radicalmente, estar com a vida de cabeça pra baixo e estar disposta a lutar pelo meu futuro e independência, posso dizer que eu teria sim coragem. Eu seria como a Joanna D’Arc da minha própria vida, custasse o que custasse. Está custando e eu estou pagando, e não poderia fazer diferente.
P.S.: timing engraçado de ter começado esse post antes do show da Madonna em Copacabana, ter visto pela tv e, depois da catarse que rolou, termina-lo no dia seguinte ao evento que trouxe tanto no que pensar sobre liberdade. Parece que essa postagem fez ainda mais sentido pra mim. A arte salva mesmo, não é?
"Eu so patetica"
quarta-feira, 10 de maio de 2023
drops
segunda-feira, 24 de abril de 2023
Hello 2021
quinta-feira, 8 de julho de 2021
Flor & Pitty
segunda-feira, 30 de novembro de 2020
A Flor chegou pra gente já na esteira de um luto: a perda da minha primera poodle, Baby. Digo chegou porque não escolhemos. Essa história nunca ficou muito clara, mas achamos que, meu pai, vendo a tristeza da minha mãe pela perda da outra cachorra(que era minha, mas tinha escolhido minha mãe pra ser tutora dela), se mancomunou com a mãe dele, minha querida avó Janda, e ela chegou coom a Flor, um dia, e disse que seria uma guarda compartilhada. Iria passar temporadas conosco, e outras com ela. Um filhotinho lindo e pequeno, que nos encantou imediatamente. E que nunca mais saiu da nossa casa. Chegou como Florzinha, mas logo nos acostumamos com apenas Flor. Ela se tornou a dona daquele lar, e dos nossos corações. Eu a criei, eduquei. Ensinei onde fazer xixi, cocô, a parar com um 'não'. Me apeguei a ela, mas era jovem, e tinha muitas coisas pra experenciar, então nesse primeiro momento não éramos tão próximas, eu vivia saindo de casa, vivendo a vida. Como a primeira dog, ela gostava mais da minha mãe, que dava seu gostoso almoço todos os dias, e estava sempre perto pois saía bem menos que eu, à época.
A Pitty também veio sem a gente esperar. Flor, então com 2 aninhos, ficou no cio, e sob os cuidados (ou descuidados, no caso) do meu irmão mais velho, numa saída da minha mãe, engravidou do poodle do meu tio, que veio numa visita. Não acompanhei a gravidez dela, pois já tinha saído de casa, a essa altura. Flor não foi uma boa mãe, como boa mimada que era. Não queria saber de dar de mamar pros filhotes, e num dia, em que ficou sozinha com eles, pois minha mãe precisou sair, um deles morreu. Minha mãe acha que a cã, num desses ímpetos da natureza selvagem que faz mães matarem os próprios filhotes por perceber que são fraquinhos demais, o matou. Mas nunca teremos certeza disso. Então nasceram 5 filhotes, sobrando 4, e todos foram doados, mas sobrou a Pitty. E quando finalmente alguém se interessou por ela, minha mãe já tinha se apegado demais, e não quis mais saber de doação, apenas ficou com ela.
Estreitei meus laços com as duas logo após a morte do meu pai. Minha mãe não queria ficar mais sozinha naquela casa, que tanto lembrava ele, e foi passar um tempo, até conseguir se organizar para alugar um canto, na casa da minha avó. Mas o local era pequeno, e minha avó não era muito fã de cachorros, então elas vieram ficar comigo e Maurinho, no nosso segundo kitnet, em dois anos de casados. Foi aí que o Maurinho também teve o coração irremediavelmente roubado por essas duas bolas de pêlo. Depois disso fomos morar com mamãe, todos juntos, e minha relação com a Flor se intensificou. Eu não vou saber colocar em palavras a nossa ligação. É aquele tipo de coisa que não tem explicação, nem lógica. Eu era louca por ela, ela era louca por mim. Eu dizia que ela era minha alma gêmea, de tão parecida que acabou ficando, comigo. Estava sempre me seguindo, aonde quer que fosse. Tivemos uma ligação que sei que nunca mais vou ter, com outro animal. Sem querer desmerecer qualquer sentimento, pois eu AMO animais, basta ver um, e já fico apegada. Sempre fui dos bichos, de me emocionar com filmes, ou resportagens acerca desses seres lindos e perfeitos. Cachorros em especial. Todo cachorro que eu tiver, vai ser muito amado e bem cuidado. Mas aquilo entre eu e a Flor, duvido que aconteça novamente, e é isso.
Então você imagina a dureza que foi, perder as duas, nesse 2020 sem misericórdia? Sou péssima para lidar com mortes, então a Flor deixou um buraco no meu peito, que não sei se vai sarar, algum dia. Aí me apeguei com a Pitty, sentindo que um pedaço da Flor ainda estava comigo. E então, ela adoeceu, e se foi, também. Sabíamos que a Pitty não duraria muito mais tempo, sem a Flor, por quem era intensamente apegada, pois não desmamou, né? Nunca ficou sozinha, Flor sempre foi sua companhia. Mas achávamos também que ainda teríamos um tempo maior, ao menos não ainda esse ano, pra passar por um novo luto. Escrevo com lágrimas escorrendo, pois está tudo ainda muito recente, mas sinto que precisava colocar isso em palavras, talvez pra exorcisar um pouco dessa dor. Não sei.
Amo vocês, minhas crianças. Espero que esse mundo não seja tão ruim como parece, e um dia, possamos nos reencontrar, e ser felizes e completas, novamente.
Teatro José de Alencar, aqui em Fortaleza. Não é lindo?



Existe maior exemplo de mulher que ousou ser quem é? Não tem!

