Mas enfim, inferno astral não tinha influência alguma na minha existência. Só que algo mudou, desde que meu pai morreu. Desde então, eu detesto comemorar meu aniversário. Nem tanto enquanto um bolinho na mesa, mas mais no estilo que ele mais gostava de comemorar, como confraternização. Não quero confraternizar com ninguém esse dia, além do meu núcleo familiar (mãe, irmãos e companheiro, e agora, minha sogra e sua irmã, família que ganhei como um bônus na vida).
E a isso se somou uma crise próximo à data, por sentir que esperam de mim justamente essa confraternização e essa alegria em comemorar a vida, algo que não sinto desde a infância. É só que, depois que meu pai morreu, eu fiquei ainda mais antissocial (ou, desconfio, meus traços de TEA se agravaram).
Tem lugares que não consigo mais frequentar e tem situações que me são insuportáveis, coisas que para outras pessoas, percebo, são super normais. Eu não gosto mais de ir a Mosqueiro, lugar que acredito ter sido o favorito da vida do meu pai, e não suporto mais ir na casa da minha avó materna, falecida, que agora é a casa da minha tia, por exemplo. Percebo que o resto da minha família não tem problema algum com isso, mas eu simplesmente não suporto mais frequentar.
Enfim, faz 3 anos que não passo mais essa data da maneira que EU gostaria, e, principalmente, com a presença da minha mãe, que é o ponto que mais me pega, porque foi ela que me deu esse dia e a sua presença é essencial nessa data, e em trânsito, em lugares ou situações que não são as minhas ideais. E aí uma crise se instala nos dias anteriores, que nem são tão sentidas no dia em si, mas que me deixam péssima até ele.
Eu diria que é mais um tipo de depressão pré-aniversário, atualmente. Fico realmente coisada, estranha, fora do ninho, que não é um lugar, é uma sensação. Crise de perguntar, sem ironia, “o que eu tô fazendo da minha vida?”. Eu não tenho respostas, não tenho uma análise, é só que estou passando por esse momento exatamente agora e queria colocar algo pra fora, nem que seja um amontoado de palavras sem sentido. Antes eu nunca vivi um inferno astral, agora eu realmente sinto que vivo, de outra forma, mas não menos impactante. Talvez, até mais.

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