✦ Para ler uma resenha minha e meus trechos favoritos, clique na capa do livro.
✦ Se quiser me indicar livros e/ou conversar sobre algum da lista, comente nesta página.
✦ Pode conter spoiler.
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Hamnet — Maggie O'Farrell
Avaliação: ★★★★★ ❤︎
Formato: físico
É um livro poético que me tocou muito, e acredito 100% que essa história é real. Precisa ser! (não é)
Trechos Favoritos:
Em breve.
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O Grande Caderno — Ágota Kristóf
Avaliação: ★★★★☆ ❤︎
Formato: ebook
O Grande Caderno, por ter sido o primeiro contato com a escritora e essa trilogia tão singular, confesso que estranhei um pouco. Não é que não gostei, ele só me deixou muito perturbada. Tudo me deixava inquieta, desestabilizada mesmo, então não posso dizer que foi excelente, apesar de ter sim me arrebatado. Foi uma sensação que não lembro de ter tido antes.
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A Prova — Ágota Kristóf
Avaliação: ★★★★★ ❤︎
Formato: ebook
Completamente arrebatada por essa trilogia, não consigo nem pôr em palavras tudo o que acontece, e o que eu sinto. Esplêndido!
Trechos Favoritos:
“Você também é infeliz, mesmo não sendo aleijada. Ele talvez não venha a ser mais infeliz do que você, ou do que qualquer outra pessoa.”
“Os machucados físicos não importam quando sou eu que recebo. Mas se eu tivesse que fazer com alguém, isso ia se tornar um outro tipo de machucado para mim e eu não ia conseguir suportar.”
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A Terceira Mentira — Ágota Kristóf
Avaliação: ★★★★★ ❤︎
Formato: ebook
Completamente arrebatada por essa trilogia, não consigo nem pôr em palavras tudo o que acontece, e o que eu sinto. Esplêndido!
Trechos Favoritos:
“Sim. Tem vidas que são mais tristes do que o mais triste dos livros.”
“É isso. Um livro, por mais triste que ele seja, não pode ser tão triste quanto uma vida.”
“Se a gente começa a pensar, não tem como amar a vida.”
“Estou com medo, medo de ir para uma casa onde vão cuidar de mim, onde vão me salvar. Preciso ir embora daqui. Fico me perguntando para onde eu poderia ir.”
“Ficar imaginando é ainda pior do que saber de tudo.”
“Eu me deito e antes de adormecer começo a conversar na minha cabeça com Lucas, como faço há muitos anos. O que digo para ele é mais ou menos a mesma coisa de sempre. Digo que, se ele estiver morto, ele é um sujeito de sorte, e que eu queria muito estar no lugar dele. Digo que ele ficou com a melhor parte, que sou eu que tenho que carregar o fardo mais pesado. Digo que a vida é de uma inutilidade total, que ela é um absurdo, uma aberração, um sofrimento infinito, a invenção de um Não Deus cuja maldade está além da compreensão.”
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Como Arruinar um Casamento — Alison Espach
Avaliação: ★★★☆☆
Formato: ebook
É um bom livro pra passar o tempo, mas não posso dizer que foi maravilhoso. Achei o tema suicídio desencaixado de tudo, não parece que ele realmente era importante para a protagonista, e ela não pareceu, de forma alguma, em qualquer momento da sua construção, ser suicida. É o tipo de coisa que me tira bastante das história, perceber que o autor não conseguiu me convencer de um argumento que é central para a narrativa.
Trechos Favoritos:
“É exatamente isso que Phoebe sempre odiou e amou na vida: o quanto é imprevisível, como as coisas podem mudar num piscar de olhos. Num momento, ela pode estar se perguntando o que fazer para o marido no jantar e, no seguinte, ele pode entrar no quarto e dizer a ela que está apaixonado por outra pessoa. Mas também é verdade que, um dia, ela pode estar sozinha num quarto se preparando para morrer e, no seguinte, estar se preparando para adentrar num barco com lindos desconhecidos.”
“Seu marido não vai cuidar de você do jeito que você imagina — fala Phoebe. — Ninguém pode cuidar de você do jeito que você precisa cuidar de si mesma. É seu trabalho cuidar assim de si.”
“Pensa e pensa e pensa até ficar tão cansada de pensar que nunca termina direito o que começou.”
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O Trem dos Orfãos — Christina Baker Kline
Avaliação: ★★★★☆
Formato: ebook
É uma história meio autobiográfica, pelo que entendi. É triste constatar que coisas tão horríveis tenham acontecido em face das guerras, consequencias apavorantes. Situações inimagináveis como um trem cruzando cidades com orfãos levados a serem adotados em cada estação, que nem sei com o quê comparar. Guerras vão muito além do que acontece no front.
Trechos Favoritos:
“Estou aprendendo a deixar passar, para me parecer com todos os outros, mesmo que me sinta partida por dentro.”
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As Irmãs Blue — Coco Mellors
Avaliação: ★★★★☆
Formato: ebook
As Irmâs Blue deve ter alguma inspiração em Sex and The City, menos pela temática, mas mais pelo alto estilo de vida em NY das protagonistas, e por serem tantas, com personalidades tão diversas. Eu gostei bastante, tem um clima deprimente permeando toda a história, o que achei interessante. Sou completamente apaixonada pelas capas dos livros da Coco Mellors. Perfeitas!
Trechos Favoritos:
“Uma irmã não é uma amiga. Quem poderia explicar o impulso de pegar uma relação tão primordial e complexa, como é a fraterna, e reduzi-la a algo tão substituível e banal como uma amizade?”
“A verdadeira irmandade, do tipo em que suas unhas cresceram no mesmo útero e vocês foram empurradas aos gritos por canais de nascimento idênticos, não é igual à amizade. Vocês não se escolhem, e não há o período furtivo de se conhecerem. Vocês fazem parte uma da outra desde o início. Observe um cordão umbilical — resistente, sinuoso, feio e, no entanto, essencial — e compare-o com uma pulseira da amizade tecida com fios vistosos. Essa é a diferença entre uma irmã e uma amiga.” — página 7
“Dizem que você não conhece seus princípios até que eles se tornem inconvenientes.” — página 7
“A maioria das pessoas passa pela vida sem jamais saber o que é receber um chamado, aquele que pede para sacrificar o prazer do momento pelo potencial de um sonho que pode não se realizar durante anos, se é que pode. Ele o separa das outras pessoas, quer você queira ou não. Pode ser exaustivo, solitário e cruel, mas, se for de fato o chamado, não se trata de uma escolha.” — página 9
“Ela pensou, por um instante, como seria bom ficar assim, no meio, nem aqui nem ali, para sempre, (...)” — página 31
“— Às vezes eu odeio o que eu amo — ela disse.” — página 42
“Avery pensava que o amor era feito de gestos visíveis, grandiosos, mas o casamento revelou-se uma somatória de atos comuns, quase irrelevantes, de devoção diária — lavar as canecas que ficaram na pia antes de dormir, subir ou descer as escadas correndo para dar um beijo antes de sair de casa, cortar um pedaço a mais de fruta para compartilhar —, atos fáceis de esquecer, mas que, se esquecidos, fariam muita falta.” — página 81
“É fácil amar alguém nos começos e nos finais; o tempo entre os dois é que era difícil.” — página 103
“Eu só...Eu não conseguia ouvir que o Poder Superior de alguém nunca manda alguma coisa com a qual a pessoa não consiga lidar. Se fosse assim, nós não teríamos estupro, abuso de menor, incesto ou violência doméstica, e as pessoas não ficariam com estresse pós-traumático, traumas complexos ou dependência de drogas incapacitantes, já que tudo isso é resultado direto de receber exatamente as coisas com as quais elas não conseguem lidar.” — página 147
“- Não há nada a dizer — ela respondeu, sua voz voltando à qualidade de nítido controle. — Acontece, e eu tenho de viver com isso. Fim da história. Nenhuma justificativa, nenhuma lição oculta, nenhuma atitude de gratidão. — Ela quase cuspiu as palavras. — Ela morreu e eu ainda estou viva. A vida é aleatória e injusta, e às vezes é aleatória e mais do que justa. É isso.” — página 153
“— Eu encontro o que me dá prazer e embarco nisso até me dar dor. — Ela respondeu. — Toda vez.
— É, mas de que outra forma você saberia quando parar?” — página 173
“Foi isso o que tinha acontecido com Lucky? Ela tinha perdido o amor pela vida? Ela com certeza não via muito sentido em fazer as coisas que os outros faziam para tornar a vida significativa: trabalhar, se casar, ter filhos, construir um lar. Mas não conseguia se lembrar de uma época diferente. Seria possível perder o amor pela vida se nunca o tivesse sentido?” — página 191
“Não importava de quantas pessoas Lucky se rodeasse, parte dela estava sempre nadando sozinha em um lago grande e escuro.” — página 192
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Atos Humanos — Han Kang
Avaliação: ★★★☆☆
Formato: ebook
Sou fâ da Kang desde A Vegetariana, tudo o que li dela achei fascinante e único. Atos Humanos acredito ter recebido essa nota mais por mim do que por ele. Acho que eu não estava na vibe de lê-lo e isso impactou minha experiência, então, um dia, pretendo reler, ainda que o tema seja dificílimo.
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Vozes Amarelas — Monge Han
Avaliação: ★★★★☆
Formato: ebook
É uma HQ bastante intimista e dando voz, de maneira geral, à comunidade amarela no Brasil. O autor conta suas experiências com o racismo e mostra como isso impactou sua vida, e deixa pequenas dicas de como sermos melhores em relação a isso. Gostei bastante.
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Cupim — Layla Martinez
Avaliação: ★★★★★
Formato: ebook
Em breve.
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Queria morrer, mas no céu não tem tteokbokki — Baek Sehee
Avaliação: ★★★☆☆
Formato: ebook
É perturbador ler o livro, que é atravessado pela luta da autora com a saúde mental, e saber que ela faleceu. Parece que torna tudo ainda mais real e difícil. O livro é interessante mas em vários momentos senti uma vibe auto-ajuda, que eu detesto, então a obra me perdeu um pouco por isso, mas toda a parte em que ela detalha sua luta é admirável.
Trechos Favoritos:
“Só porque você gosta de algo em uma pessoa, não quer dizer que precisa gostar de tudo nela. E só porque não gosta de algo em uma pessoa, não quer dizer que a pessoa como um todo não valha a pena para você.”
“Engraçado que as palavras mais consoladoras que ouvi foram as seguintes: 'Por que está tentando ser corajosa? Por que está tentando ser confiante? Só siga em frente e permita-se sentir o que sente. Não se alegre!'.”
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Tudo é Tuberculose — John Green
Avaliação: ★★★★☆ ❤︎
Formato: ebook
É maravilhoso o que uma pessoa com hiperfoco é capaz de fazer. Meus hiperfocos nunca produzem nada de bom, como escrever um ótimo livro, só acabam com o limite do meu cartão de crédito. Enfim, John Green fez um estudo sobre todas as coisas que tem ligação com a tuberculose, contando a história da doença, no meio do caminho. Fiquei maravilhada.
Trechos Favoritos:
“Nada é um sinal tão grande de privilégio quanto achar que a história pertence ao passado.”
“Todos os desgostos que sofri lendo sobre tuberculose, é provável que nenhum tenha me marcado tanto quanto essa imagem de um pai imitando a caligrafia da filha morta em cartas para a filha ainda viva na esperança de poupá-la da verdade devastadora.”
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Minha irmã, a serial killer — Oyinkan Braithwaite
Avaliação: ★★★★☆
Formato: ebook
De início fiquei meio desconfiada com o argumento do livro, mas conforme fui conhecendo melhor a Korede e sua realidade, entendi melhor suas questões com a irmã. É uma história super diferente e original, e que me fisgou.
Trechos Favoritos:
“Os pais e parentes mais amorosos cometem assassinatos com um sorriso no rosto. Eles nos forçam a destruir a pessoa que somos: um tipo sutil de assassinato.”
Registro de Leitura
Metade da Idade Dele — Jennette McCurdy
Avaliação: ★★★★☆
Formato: ebook
É o primeiro livro de ficção da Jennette, apesar de achar que deve ter algo de autobiográfico, mesmo que não o envolvimento dela com o professor. Eu não gosto muito da linguagem que a McCurdy usa pra falar de sexo, acho que tem algo de fetichização, mas ao mesmo tempo, adoro que uma autora mulher tenha liberdade para escrever tais coisas. Gostei, mas com ressalvas.
Trechos Favoritos:
“Ele leva o dedo à boca, coberto de sangue, e o lambe, a língua subindo por um lado e descendo pelo outro, então se ajoelha e começa a me chupar. Levanto a saia para observá-lo. Ele sorri, o sangue espalhado pela boca e pelas bochechas como se estivesse no meio da melhor refeição da sua vida. Não é bizarro, como num filme de terror. É algo mais profundo, com mais significado. É a evidência à qual posso me agarrar nos momentos de dúvida. Que este é o nível do desejo dele por mim. Que ele deseja até minhas partes nojentas.”
“A banalidade é arrasadora. A rotina da vida doméstica, terrível. Uma fila interminável de logísticas chatas e conversas iguais, todos os dias se repetindo da mesma maneira sem nada que os diferencie.”
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As Margens e o Ditado — Elena Ferrante
Avaliação: ★★★☆☆
Formato: ebook
Eu amo Elena Ferrante, mas não sou fã de livros sobre escrita. Escrever pra mim não tem receita, vou apenas colocando pra fora tudo o que me vem. Sei que não sou o público alvo do livro, que acredito ser para pessoas que queiram viver de escrita ou queiram melhorar sua forma de faze-lo, mas não resisti a ler um livro da Ferrante. Eu, já não tenho essas aspirações. Apenas não é o livro, sou eu.
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Jane Eyre — Charlotte Brontë
Avaliação: ★★★★☆
Formato: ebook
Um clássico que demorei demais pra ler. Eu adorei, devorei o livro em menos de duas semanas, queria saber tudo o que estava prestes a acontecer. Apesar de ter adorado, ainda é difícil ler uma obra sobre uma mulher que vive em função do amor de um homem, ainda que ela tenha sido bastante emancipada em diversas passagens. Por isso, não virou um favorito.
Trechos Favoritos:
“É terrível o remorso quando sucumbimos ao erro, Srta. Eyre. O remorso é o veneno da vida.”
“Nessa época, eu já não trocaria Lowood, com todas as suas privações, por Gateshead e os pequenos luxos de seu dia a dia.”
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A Misteriosa Confeitaria da Meia-Noite — Lee Onhwa
Avaliação: ★★★☆☆
Formato: ebook
Algumas pessoas torcem o nariz para essa nova leva de livros cozy ou de cura, mas eu não tenha nada contra. Se não for explicitamente para o lado de auto-ajuda (que detesto!), até aprecio. Esse foi um livro legal de ler, não tem grandes momentos, mas eu gostei. A protagonista é bem desenvolvida e as questões familiares e sobre a morte são interessantes.
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Cabo do Medo — John D. MacDonald
Avaliação: ★★☆☆☆
Formato: ebook
Foi um pouco decepcionante, o livro tem bem menos força que o filme. Chega a ser quase idílico, comparado à adaptação. É bem ok, mas você não perde muita coisa se não ler.
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Uma Noite de Verão — Philippe Besson
Avaliação: ★★★★★ ❤︎
Formato: ebook
Eu não esperava nada dessa leitura, peguei por causa do algum desafio trimestral do Goodreads, e me encantei. A escrita do Besson tem um quê de poética e visceral ao mesmo tempo que parece tranquila, digerindo todas as situações bem lentamente. Gostei muito e quero ler os outros livros dele, principalmente Mentiras que Contamos, que tem recebido altos elogios.
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O Desencanto — Beatriz Serrano
Avaliação: ★★★★☆
Formato: ebook em pt-PT
É o tipo de história pra que eu costumo torcer o nariz, de protagonista antagonista, uma pessoa detestável, sabe? Odeio o ar de superioridade que esses personagens costumam ter, mas aqui eu gostei mesmo foi das sacadas anticapitalistas que permeiam todo o livro. Adoro ver gente apontando os absurdos que aceitamos em nome do capital. Bom demais! Muito satisfatório!
Registro de Leitura
A Polícia da Memória — Yoko Ogawa
Avaliação: ★★★★★ ❤︎
Formato: ebook
Um clássico tem motivos para ser um clássico, né? Aqui nessa história, tudo é dolorido. Tenho o defeito de achar que as coisas tristes são as mais belas, e esse livro representa bem esse meu sentimento. Tudo é tão triste, que a gente encontra beleza no ser humano. Sua maneira de reagir às dificuldades é um alento, uma esperança, num mundo cada vez mais hostil a nossa humanidade.
Registro de Leitura
Trilogia de Copenhagen — Tove Ditlevsen
Avaliação: ★★★★★ ❤︎
Formato: ebook
Tove Ditlevsen foi direto no meu coração. O melhor tipo de história é aquela que você acompanha sem se dar conta, e de repente, pam! Você percebe que foi arrebatada, irremediavelmente. Eu só fiquei obcecada por uma autora desse jeito, antes, com a Sylvia Plath. Essa trilogia me deixou completamente arriada, pensei nele e na autora por dias. Quero ler tudo dela. É o meu livro favorito do ano.
Registro de Leitura
Imagens Estranhas — uketsu
Avaliação: ★★★★☆
Formato: ebook
Já fazia um tempo eu estava bem curiosa para ler algo do uketsu, essa persona misteriosa que parece escrever sempre histórias estanhas (literalmente, já que os títulos dos seus livros sempre contêm essa palavra). Pois não me decepcionei! Fiquei realmente com medo, que é uma sensação difícil de ter quando leio um livro. Gostei muito mais do início, com o tempo achei que decaiu um pouco mas, ainda assim, foi um livro bastante interessante de ler. Ansiosa pra ler os outros.
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Entre a Vida e o Depois — Hadley Vlahos
Avaliação: ★★★★☆ ❤︎
Formato: ebook
Adorei esse livro, é uma pena que tem diversos momentos de "superação" de gente privilegiada, mas me emocionei com absolutamente todas as histórias dos pacientes. Indico demais a leitura!
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O Livro do Verão — Tove Jansson
Avaliação: ★★★☆☆
Formato: ebook
O livro não é ruim, eu que esperava outra coisa e também acho que cabe mais para o público infanto-juvenil.
Registro de Leitura
El Río Tiene Raíces — Amal El-Mohtar
Avaliação: ★★★★★
Formato: ebook em es-ES
É uma fábula muito bonita. Fiquei encantada com o que a autora conseguiu criar aqui, o amor instransponível entre as irmãs foi muito bonito de ler.
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Um Hino à Vida — Gisèle Pelicot
Avaliação: ★★★★★
Formato: ebook
Senti que a Pelicot, em diversos momentos, safa o ex de muitas responsabilidades. Mas me pergunto: teria como ser diferente? Será que tem como perceber, em sua totalidade, que foi casada com um monstro por 50 anos (!!!!) e não acabar consigo própria, nesse processo? Acho que ela conseguiu superar, mesmo sob a pena de não conseguir lidar com o que foi feito com ela pela pessoa em que mais confiava na vida, e que é das coisas mais tenebrosas de que tive notícia. Os pormenores são devastadores, eu não indico essa leitura para ninguém, porque não sei como a gente vai conseguir acreditar em algo de bom no mundo depois de conhecer os detalhes dessa história.
Registro de Leitura
Inverno em Sokcho — Elisa Shua Dusapin
Avaliação: ★★★★☆
Formato: ebook
Inverno em Sokcho traz aquela sensação que já senti em vários livros de autores coreanos. Uma calma diante da vida e suas atribulações. Tudo parece ser contemplado, cada sensação e cada acontecimento. Li para ver o filme e ainda não o fiz (acontece mais do que gostaria, infelizmente).
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Brother & Sister — Diane Keaton
Avaliação: ★★★★☆
Formato: ebook em en-US
Primeiro livro que leio da minha adorada Diane Keaton. Gostei bastante, mas sinto que ela não se aprofundou tanto nos detalhes que poderiam ser mais polêmicos. É tudo bem distante, até porque ela mesma passou muito tempo alheia da vida familiar dos pais e irmãos. Mesmo assim, considero um livro excelente.
Registro de Leitura
O Adversário — Emmanuel Carrère
Avaliação: ★★★★★ ❤︎
Formato: ebook
Meu gênero favorito é não-ficção, mas o que o Carrère fez aqui...é impressionante! Você se vê completamente tragado pela história das mais escabrosas de que se tem conhecimento. E tentar entender o lado do criminoso, e basicamente não conseguir, é perturbador. Deixa a gente jogado na sargeta, depois de ler. Dos favoritos do ano, no Top 5.
Trechos Favoritos:
“Também é possível que não tenha dito absolutamente nada, apenas pensado em dizer, sonhado em dizer, se arrependido de não ter dito e, enfim, imaginado que disse.”
Registro de Leitura
O Uso da Foto — Annie Ernaux & Marc Marie
Avaliação: ★★★★☆
Formato: ebook
Sou super fã da Ernaux. Deve faltar uns 3 livros dela, pra eu ler, dos que foram publicados no Brasil. O Uso da Foto é interessante como todos os livros dela, mas sinto que, por ser co-escrito, perde um pouco da força que há nos outros, apesar de achar louvável que ela tenha quisto trazer as observações do Marie. Gosto, mas menos.
Trechos Favoritos:
“Eu podia enfim me furtar às obrigações da boa educação, não responder as cartas, os e-mails. Quando recusava um convite para um debate, uma leitura, a insistência das pessoas me parecia arrogância, um acossamento. Só o era, obviamente, à luz da doença que ninguém sabia existir; se eu lhes tivesse dito, teriam pedido infinitas desculpas. Mas sentir que eles imputavam a minha recusa a um capricho, que a encaravam como uma afronta pessoal — eles pensavam em si mesmos, antes de tudo —, me deixava num estado intratável. Eu estava farta do amor-próprio das pessoas. Estava inalcançável.”
Registro de Leitura
Dias e Noites de Amor e de Guerra — Eduardo Galeano
Avaliação: ★★★★☆
Formato: físico
Muito bem escrito, mas organizado em temas tão soltos que me perdeu um pouco. Tem comentários que fiquei sem saber do que ele falava. Porém, achei a escrita poética e muitas passagens difíceis e belas, com bastante coisa para digerir.
Trechos Favoritos:
“Por que choram as pombas ao amanhecer? Porque uma noite o pombo e a pomba foram a um baile e alguém que não gostava de pombo matou-o numa briga. O baile estava lindo e a pomba não quis parar de se divertir. 'Esta noite eu canto', disse ela, 'e quando amanhecer eu choro.' E chorou quando o sol apareceu no horizonte. Quem me contou essa história foi Malena Aguiar, tal como a ouvira da avó, mulher de olhos cinzentos e nariz de lobo, que nas noites, no calorzinho do fogão de lenha, enfeitiçava os netos com estórias de almas penadas e mistérios.” — página 21
“O Sistema que programa o computador que alarma o banqueiro que alerta o embaixador que janta com o general que ordena ao presidente que intima o ministro que ameaça o diretor geral que humilha o gerente que grita com o chefe que pisa no empregado que despreza o operário que maltrata a mulher que bate no filho que chuta o cachorro.” — página 30
"O Sistema Caminhamos pelas ramblas de Barcelona, bulevares largos, frescos túneis de verão, e nos aproximamos de uma barraca onde um homem vende passarinhos. Gaiolas com vários, gaiolas com um só. Adoum me explica que nas gaiolas em que só deixam um pássaro colocam também um espelho, para que ele não se sinta sozinho. Depois, no almoço, Guayasamín conta coisas de Nova Iorque. Conta que viu homens bebendo sozinhos nos balcões. Atrás das filas de garrafas há um espelho. Às vezes, bem avançada a noite, os homens atiram o copo, e o espelho voa aos pedaços.” — página 30
“3 Três anos depois, fiquei com os olhos cravados na primeira página dos jornais. As radiofotos mostravam seu corpo imóvel em todos os ângulos. A ditadura do general Barrientos exibia ao mundo seu grande trófeu. Olhei vagamente seu sorriso, ao mesmo tempo irônico e terno, e me voltaram à cabeça frases daquele diálogo de 1964, definições do mundo ('Uns têm razão, mas outros têm as coisas'), da revolução ('Cuba não será nunca uma vitrina do socialismo, e sim um exemplo vivo') e de si mesmo ('Eu me equivoquei muito, mas creio que...'). Pensei: 'Fracassou. Está morto.' E pensei: 'Não fracassará nunca. Não morrerá jamais', e com os olhos fixos nessa cara de Jesus Cristo do Rio da Prata senti vontade de cumprimentá-lo.” — página 62
“...O país se incorpora subitamente à civilização, ou seja: há um mundo onde se fabrica em escala industrial os sabores, as cores, os cheiros e também a moral e as ideias, e onde a palavra Liberdade é o nome de uma prisão, como no Uruguai, ou onde uma câmara subterrânea de torturas de esterilização das consciências são testadas com mais êxito que os planos de controle de natalidade. Máquinas de comunicação se multiplicam e divulgam democracia ocidental e cristã junto com violência e molho de tomates. Não é necessário saber ler e escrever para escutar os rádios transistores ou olhar a televisão e receber o recado cotidiano que ensina a aceitar o domínio do mais forte e confundir a personalidade com um automóvel, a dignidade com um cigarro e a felicidade com uma salsicha.” — página 103
“A terceira margem do rio Guimarães Rosa tinha sido advertido por uma cigana: 'Você vai morrer quando realizar sua maior ambição'. Coisa rara: com tantos deuses e demônios que este homem continha, era um cavalheiro dos mais formais. Sua maior ambição consistia em ser nomeado membro da Academia Brasileira de Letras. Quando foi designado, inventou desculpas para adiar o ingresso. Inventou desculpas durante anos: a saúde, o tempo, uma viagem... Até que decidiu que tinha chegado a hora. Realizou-se a cerimônia solene, e, em seu discurso, Guimarães Rosa disse: 'As pessoas não morrem. Ficam encantadas'. Três dias depois, ao meio-dia de um domingo, sua mulher encontrou-o morto quando voltou da missa.” — página 110
“O homem que soube calar Juan Rulfo disse o que tinha para dizer em poucas páginas, puro osso e carne sem gordura, e depois guardou silêncio. Em 1974, em Buenos Aires, Rulfo me disse que não tinha tempo para escrever como queria, por causa do trabalhão que tinha em seu emprego na administração pública. Para ter tempo precisava de uma licença e essa licença tinha de pedi-la aos médicos. E a gente não pode, me explicou Rulfo, ir ao médico e dizer: 'Me sinto muito triste', porque por essas coisas os médicos não dão licença.” — página 118
“Eu nunca tinha ouvido falar em tortura Há quinze anos, quando eu trabalhava no semanário Marcha, entrevistei um dirigente estudantil da Argélia. A guerra colonial terminara naqueles dias. O argelino torceu a boca quando lhe sugeri que falasse de si. Mas ao longo das horas foram caindo as barreiras invisíveis e contou-me sua história, ferozes lágrimas de triunfo ao fim de sete anos de briga. Ele tinha sido torturado na Cité Améziane. Tinha sido amarrado a uma cama de metal pelos pulsos e tornozelos, e tinha levado choques. - A gente sente que o coração vai embora, o sangue vai embora, tudo dança e vai embora. Depois, tinha sido passado para uma banheira. Deram tiros em sua testa com balas de festim. Oito oficiais violaram uma companheira na sua frente. Naqueles tempos eu nem desconfiava que a tortura ia se transformar num costume nacional. Eu não sabia, há quinze anos, que nas prisões e quartéis de meu país iam acontecer black-outs por causa do uso excessivo de corrente elétrica.” — página 159
“O sistema O torturador é um funcionário. O ditador é um funcionário. Burocratas armados, que perdem seu emprego se não forem eficientes. Isso, e nada mais que isso. Não são monstros extraordinários. Não vamos dar essa grandeza de presente a eles.” — página 162
“O sistema Me vem à cabeça uma coisa que me contou, há uns cinco ou seis anos, Miguel Littin. Ele acabava de filmar La Tierra Prometida no vale do Ranquil, uma comarca pobre do Chile. Os camponeses do lugar faziam o papel de extras nas cenas de massa. Uns se representavam a si mesmos. Outros faziam papel de soldados. Os soldados invadiam o vale e a ferro e fogo arrancavam as terras dos camponeses. O filme era a história da matança. No terceiro dia, começaram os problemas. Os camponeses que vestiam farda, andavam a cavalo e disparavam balas de festim, se tinham feito arbitrários, mandões e violentos. Eles acossavam os outros camponeses depois de cada dia de filmagens.” — página 194
“Guerra da rua, guerra da alma Persigo a voz inimiga que me ditou a ordem de estar triste. Às vezes, acontece de eu sentir que a alegria é um delito de alta traição, e que sou culpado do privilégio de continuar vivo e feliz. Então me faz bem recordar o que disse o cacique Huillca, no Peru, falando ante as ruínas: 'Aqui chegaram. Romperam até as pedras. Queriam fazer-nos desaparecer. Mas não conseguiram, porque estamos vivos e isso é o principal.' E penso que Huillca tinha razão. Estar vivos: uma pequena vitória. Estar vivos, ou seja: capazes de alegria, apesar dos adeuses e dos crimes, para que o desterro seja a testemunha de outro país possível. A pátria, tarefa por fazer, não vamos levantá-la com ladrilhos de merda. Serviríamos para alguma coisa, na hora do regresso, se voltássemos quebrados? Requer mais coragem a alegria que a pena. À pena, afinal de contas, estamos acostumados.” — página 197
Registro de Leitura
O Amante — Margarite Duras
Avaliação: ★★★★★ ❤︎
Formato: ebook
Vi o filme e fiquei tão fascinada que precisei ler o livro. E me encantei tanto quanto. Tem questões morais envolvidas, mas as coisas são como são, e a história é por demais envolvente, e a escrita da Duras é um negócio de louco! Fui arrebatada!
Trechos Favoritos:
“Mas é pelo jeito como nós, os filhos, estamos vestidos, como uns infelizes, que reconheço certo estado que às vezes já acometia minha mãe e cujos sinais de prenúncio nós, na idade que temos na foto, já conhecíamos, esse jeito, justamente, que de repente ela tinha, de não conseguir mais nos lavar nem nos vestir e às vezes nem sequer nos alimentar. Esse grande desânimo de viver atingia minha mãe todos os dias. Às vezes durava, às vezes desaparecia à noite. Tive essa sorte de ter uma mãe desesperada de um desespero tão puro que nem mesmo a felicidade da vida, por mais intensa que fosse, chegava a distraí-la totalmente dele. O que nunca vou saber é que tipo de fato concreto fazia com que ela a cada dia nos largasse à própria sorte.” — página 15
“Nunca escrevi, e pensei que escrevia, nunca amei, e pensei que amava, nunca fiz nada a não ser esperar diante da porta fechada.” — página 23
"Não esqueci Hélène Lagonelle. Não esqueci esse artesão. Quando parti, quando o deixei, fiquei dois anos sem me aproximar de nenhum outro homem. Mas essa misteriosa fidelidade devia ser para comigo mesma.” — página 59
“Minha mãe nunca falou desse filho. Nunca se queixou dele. Nunca falou do ladrão de armários para ninguém. Essa maternidade foi como um delito. Ela a guardava escondida. Devia achar incompreensível, incomunicável a quem não conhecesse seu filho como ela conhecia, perante Deus e apenas perante Ele. Dizia pequenas banalidades, sempre as mesmas. Que, se ele quisesse, teria sido o mais inteligente dos três. O mais “artista”. O mais fino. E também o que mais amara a mãe. Ele, em suma, era o que a compreendia melhor. Eu não sabia, dizia ela, que se podia esperar isso de um rapaz, tanta intuição, uma ternura tão profunda.” — página 63
“Ele morre num dia nublado. Primavera, acho, abril. Recebo um telefonema. Nada, não me dizem mais nada, foi encontrado morto, no chão, em seu quarto. A morte tinha se antecipado ao fim de sua história. Quando vivo, já estava acabado, era tarde demais para morrer, estava acabado desde a morte do mais novo. As palavras esmagadoras: está tudo consumado.” — página 64
“Nos banhamos juntos com a água fresca das jarras, nos beijamos, choramos, e o gozo desta vez foi ainda de morrer, mas agora já inconsolável. Depois eu lhe falei. Disse que não lamentasse, lembrei-lhe o que ele havia dito, que eu partiria de qualquer modo, que não era capaz de responder por minha conduta. Ele disse que nem isso agora lhe importava mais, que tudo o ultrapassava. Então eu lhe disse que era da mesma opinião que o pai dele. Que me recusava a ficar com ele. Não expliquei os motivos.” — página 66
“As jovens inspetoras do pensionato ouvem apaixonadamente a mãe. Todos, diz a mãe, todos gravitam em torno dela, todos os homens do posto, casados ou não, gravitam em torno disso, querem essa menina, essa coisa, ainda não muito definida, vejam, ainda uma criança. Desonrada, dizem as pessoas? Pois eu, eu digo: como é possível desonrar a inocência?” — página 72
“Ninguém enxergava com tanta clareza como eu. E a partir do momento em que atingi esse conhecimento, tão simples, de que o corpo de meu irmão mais moço era o meu também, eu tinha de morrer. E morri. Meu irmão me levou para junto de si, me puxou para si, e eu morri.” — página 81
“Esse amor insensato que tenho por ele continua um mistério insondável para mim. Não sei por que eu o amava a ponto de querer morrer com sua morte. Estava separada dele fazia dez anos quando isso aconteceu e só raramente pensava nele. Parecia que eu o amava para sempre e nada de novo podia acontecer a esse amor. Eu tinha esquecido a morte.” — página 82
“E a jovem tinha se levantado como se, por sua vez, fosse se matar, por sua vez se lançar ao mar, e depois havia chorado porque tinha pensado naquele homem de Cholen e de repente não tinha certeza se não o havia amado com um amor do qual não se apercebera porque ele tinha se perdido na história como a água na areia e agora ela só o reencontrava nesse instante em que a música se lançava ao mar.” — página 88
“Ele deve ter passado muito tempo sem conseguir estar com ela, sem poder lhe dar o herdeiro das fortunas. A lembrança da menina branca devia estar lá, oculta, o corpo lá, atravessado na cama. Ela deve ter continuado por muito tempo como a soberana de seu desejo, a referência pessoal à emoção, à imensidão da ternura, à sombria e terrível profundeza carnal. Depois veio o dia em que isso deve ter sido possível. Aquele dia justamente em que o desejo pela menina branca deve ter sido tão grande, a tal ponto insuportável que ele foi capaz de reencontrar sua imagem inteira como numa intensa e imensa febre e penetrar a outra mulher com esse desejo por ela, a menina branca. Ele deve ter se reencontrado pela mentira dentro dessa mulher e, pela mentira, ter feito o que as famílias, o céu, os ancestrais do norte esperavam dele, isto é, o herdeiro do nome.” — página 89
“Anos após a guerra, após os casamentos, os filhos, os divórcios, os livros, ele tinha vindo a Paris com a mulher. Ele lhe telefonara. Sou eu. Ela o reconhecera pela voz. Ele dissera: queria apenas ouvir sua voz. Ela: sou eu, bom dia. Ele estava intimidado, sentia medo como antes. Sua voz de repente tremeu. E, com o tremor, de repente, ela reencontrou o sotaque da China. Ele sabia que ela tinha começado a escrever livros, soube pela mãe dela, que ele havia encontrado em Saigon. E também sobre o irmão mais moço, que ele tinha ficado triste por ela. E depois não havia mais o que dizer. E depois ele disse. Disse que era como antes, que ainda a amava, que nunca conseguiria deixar de amá-la, que a amaria até a morte.” — página 90
Registro de Leitura
Casados com Paris — Paula Mclain
Avaliação: ★★★★★ ❤︎
Formato: físico
Tem uma coisa sobre mim, que é que qualquer ficção baseada em fatos históricos vai ser verdade, na minha cabeça. "Mas, Cláudia, é ficcionalizado..." Não é! É verdade! Meu cérebro se recusa a não acreditar em qualquer coisa escrita com bases históricas. Dito isso, adorei este livro! Passei muita raiva com Hemingway sendo nada menos que escroto e egoísta e com a Hadley sendo nada menos que passiva e mosca-morta, mas devorei o livro e não consegui parar até terminar. Também me irritou que, em alguns momentos, senti que a autora usava o ponto de vista da Hadley para dar destaque ao Hemingway, deixando de lado quem deveria ser a protagonista da história. Mas talvez isso acontecesse porque a Hadley não desse tanta história, já que ela parece ter sido uma pessoa bastante comum, sem grandes aspirações e interesses além de ser esposa do Hemingway. Ainda assim, sempre que não estava lendo, queria voltar para ele. Muito muito bom!
Trechos Favoritos:
“Ninguém acreditava em casamento, naquela época. Casar-se era dizer que você acreditava no futuro e também no passado — que história, tradição e esperança eram capazes de se unir para nos manter firmes e fortes. Mas a guerra viera e roubara todos os bons rapazes e também nossa fé. Hoje era tudo o que havia para nos jogarmos dentro sem pensar em amanhã, quanto mais em para sempre.” — página 9
“Era terrível me sentir tão vazia, como se eu não fosse nada. Por que eu não podia ser feliz? E, afinal, o que era a felicidade? Conseguiríamos fingi-la, como insistia Nora Bayes? Conseguiríamos fazê-la brotar como um bulbo primaveril na cozinha ou esbarrar com ela numa festa em Chicago e contraí-la como um resfriado?” — página 14
“Ficou claro que eu tinha tocado em algum ponto nevrálgico, e não queria fazê-lo de novo. Gostava dele sorrindo, risonho e solto. Na verdade, minha reação a ele foi tão poderosa que eu já sabia que faria de tudo para mantê-lo feliz. Mudei depressa de assunto.” — página 14
“Ele botou a azeitona na minha língua e, quando fechei a boca em torno dela, oleosa, morna e salgada, percebi que corava, não só pela delícia, mas também pela intimidade, seu garfo em minha boca. Era a coisa mais sensual que me acontecia, há séculos.” — página 23
“Apesar de a rejeição passional de Ernest pela mãe me dar calafrios, eu não podia deixar de compreendê-la. Descobrir como o relacionamento de nossos pais era parecido foi apavorante, mas o que me mais abalou foi perceber que, apesar de ter muitas vezes detestado a vontade indomável de minha mãe e até mesmo culpá-la pelo suicídio de meu pai, eu nunca havia externado aquele ódio. Ele fervilhava e me corroera por dentro. Nas ocasiões em que tentava vir à tona, eu pegava meu travesseiro de penas e gritava meus sentimentos para dentro dele, cortando o mal pela raíz. Ernest cuspia livremente sua raiva. Qual das reações era mais assustadora?” — página 48
“Aquele lugar nunca o deixara na mão, mas ele se sentia meio fora dali naquela noite. No dia seguinte, às quatro da tarde, ele e Hadley se casariam na igreja metodista de Lake Street. Ele sentiu uma onda de pânico, como se fosse um peixe caindo numa rede esticada, lutando instintivamente contra ela. Não era culpa de Hadley. Casar-se tinha sido ideia dele, mas ele não dissera a ela o quanto estava com medo. Parecia que precisava se forçar a abrir caminho naquela direção de qualquer maneira, como fazia com tudo o que o apavorava demais. Ele tinha medo do casamento e também de ficar sozinho.” — página 71
“Com Hadley, as coisas pareciam bem quase o tempo todo. Ela era boa, forte e verdadeira, e ele podia contar com ela. Eles tinham tanta chance de fazer dar certo quanto qualquer outra pessoa, mas e se o casamento não resolvesse tudo, e não salvasse ninguém, nem um pouquinho? E aí?” — página 71
“Mas nem todos que saem numa tempestade querem ser salvos. Eu sabia por experiência própria, do verão que morreu Dorothea. Meu amigo de veraneio e eu tínhamos escapado sãos e salvos da baía de Ipswich, mas fora obra do acaso. Se as águas enfurecidas tivessem vindo me engolir, eu teria permitido. Eu queria morrer naquele dia — queria sim —, e houve outras ocasiões também. Não muitas, mas estavam ali, e, enquanto eu observava Ernest crispar-se num sono agitado, não podia deixar de me perguntar se todos nós as tínhamos. E, se tivéssemos, se as sobrevivêssemos, seria só por sorte?” — página 79
“Eu acreditava que havia montes de outros escritores que trabalhavam em suas próprias casas e eram capazes de suportar uma conversa durante o café da manhã, por exemplo. Que conseguiam dormir uma noite inteira sem se angustiar, andar de um lado para o outro ou rabiscar numa caderneta enquanto uma única vela soltava fumaça e tremulava. Eu sentia falta da companhia de Ernest o dia todo, mas ele não parecia sentir a minha, não enquanto havia o que escrever. (...) Muitos dias ele voltava para casa parecendo exausto, derrotado, como se tivesse passado o dia lutando com sacos de carvão, e não com uma frase de cada vez.” — página 87
“Concordei em seu ombro, mas parte de mim não conseguia deixar de se perguntar se era bom depender tanto dele. Ele admirava minha força e resistência, e contava com isso. Mais ainda, eu gostava de me sentir forte, e era desagradável saber que aquela força se desvanecera quando ele partiu. Estaria agora minha felicidade a tal ponto ligada a ele que eu só era capaz de me sentir eu mesma com ele por perto? Eu não sabia.” — página 102
“Assenti. Não estava no passado, mas bem ali em seu rosto e em seus olhos, o jeito como ele chegara a Milão parecendo um boneco quebrado. Não um herói, mas um garoto que talvez nunca se recuperasse do que vira e sentira. Senti uma tristeza aguda ao pensar que não importava o quanto eu o amasse e tentasse juntar seus cacos, ele poderia continuar quebrado para sempre.” — página 110
“Quando ele falou isso, perguntei-me o que eu sabia de verdade, do jeito que ele queria dizer, e só consegui responder com Ernest e Bumby, nossa vida juntos. Era uma ideia vergonhosamente ultrapassada, eu sabia, e, se a houvesse confessado a qualquer mulher em qualquer café de Montparnasse, teria sido motivo de riso pelas ruas. Esperava-se que eu tivesse minhas próprias ideias e ambições e que fosse inacreditavelmente sedenta de esperiências e novidades de todo tipo. Mas eu não estava sedente, estava satisfeita.” — página 188
“É preciso digerir a vida. É preciso mastigá-la e gostar dela como é. É preciso vivê-la com os próprios olhos, realmente.” — página 198
“Conversamos um pouco mais, e eu estava me divertindo tanto que levei cerca de meia hora para perceber que Ernest se instalara numa mesa vizinha. Não reconheci ninguém com quem ele estava, menos ainda a bela mulher sentada a seu lado. Ela era magra e encantadora, com o cabelo louro escuro cortado quase rente. Seu corpo parecia o de um rapazinho esbelto debaixo de um suéter comprido, mas de alguma forma aquele cabelo fazia mais do que apenas lhe dar um ar de rapazinho, tornando-a ainda mais feminina. No instante em que a vi senti uma calafrio me percorrer — mesmo antes de Ernest se inclinar e lhe cochichar alguma coisa. Ela deu uma gargalhada rouca, arqueando o longo e claro pescoço.” — página 199
“Era irônico e, para mim, também um pouco doloroso vê-lo tornar-se o protótipo do artista que, dois anos antes, lhe dava arrepios.” — página 209
“O que acontecia entre Ernest e mim nem de longe era um horror, eu esperava, mas ele me magoava com cada sussurro e olhar lançado a Duff. E eu me descobria tendo sentimentos bem diferentes em relação ao casamento e aos danos que os amantes podiam causar uns aos outros, danos por vezes irreparáveis, e quase não intencionais.” — página 235
“(...), mas quando ele me deu as páginas para ler, não precisei de tempo algum para perceber que tudo era exatamente como havia acontecido na Espanha, cada conversa sórdida e encontro tenso. Era quase literal, exceto por uma coisa: eu não estava ali. Duff era a heroína. Eu sabia e esperava, mas de qualquer maneira era perturbador ver o nome dela vezes sem fim. Ele ainda não a havia transformado em Lady Brett. Duff era Duff, Harold era Harold, Pat era um bêbado idiota, e todos faziam péssima figura, salvo os toureiros. Kitty também estava no livro — ele mentira a respeito —, num papel bastante depreciativo. Ernest se transformara em Jake Barnes e fizera o personagem impotente. E o que eu deveria pensar daquilo? Era assim que ele via sua própria moralidade, ou covardia, ou bom senso, ou o que quer que o impedira de dormir com Duff? Como impotência?” — página 245
“Não dispersaria minha sensação de que uma fenda crescia entre nós, de que ele deixara de ouvir e confiar na minha voz, e não poderia abrandar minha ansiedade em relação à maneira como ele se voltava para Pauline.” — página 260
“Voltando de carro pelo mesmo caminho da ida, vimos à distância muitos castelos parecidos, banhados pelo sol ou flutuando em névoas como se fossem feitos de gás hélio. Mas eu não era mais capaz de lhes perceber a beleza. Minha cabeça também flutuava, muito acima do meu corpo, enquanto eu me perguntava até onde teriam ido as coisas entre Ernest e Pauline e até onde ainda iriam as coisas para todos nós. Teriam os dois se tornado amantes em Paris, ou mesmo antes, em Schruns? Fiquei doente só de pensar nos dois juntos lá. Aquele era o nosso jardim. Nosso lugar especial e favorito. Mas talvez nada mais fosse seguro.” — página 273
“Eu sabia que se ficasse ali e deixasse a água me invadir, entrar por todas as portas do meu corpo, algumas coisas seriam mais fáceis. Eu não precisaria ver minha vida desaparecer, gota a gota, afastando-se de mim em direção a Pauline.” — página 301
“Todas as minhas coisas estavam na serraria, e seria preciso tratar disso. Pediria a Ernest que o fizesse ou contratasse alguém, porque sabia que não poderia voltar lá. Não iria. Nunca mais fui.” — página 311
Registro de Leitura
Kallocaína — Karin Boye
Avaliação: ★★★☆☆
Formato: ebook
Poucas vezes detestei tanto estar dentro da cabeça de um personagem, já que a história é toda contada pelo ponto de vista de Leo Kall, o protagonista.
Trechos Favoritos:
“Creio ser adequado empregar a palavra amor quando, em meio à desesperança, nos mantemos unidos um ao outro, como se, apesar de tudo, um milagre pudesse ocorrer – então a própria angústia adquire uma espécie de valor próprio e se torna uma prova de que ao menos se tem um interesse em comum: a espera por algo que não existe.” — página 11
“Nos primeiros anos, pensei: vamos viver algo além do que qualquer mortal comum pode viver, e agora estamos pagando o devido, sabemos disso, depois do que pudemos ver… Mas não aguentamos mais. Eu não aguento mais. Não tenho mais memória, ela me escapa, cada vez para mais longe. Antes brilhava, às vezes inesperadamente, mas cada vez que a busco (e preciso buscá-la para encontrar mais uma vez o sentido de minha vida), noto que ela não mais me responde, fugiu para muito longe. Acho que exauri minha memória de tanto forçá-la.” — página 41
“Será possível encontrar um tal momento uma vez… Quando se morre? Pensei muito nisso. Eu morreria com prazer. Se não se tem mais nada na vida, ao menos a morte se pode ter. Quando digo que não suporto mais, quero dizer: eu não suporto mais viver. Não penso: eu não suporto morrer, pois isso se suporta, morrer se suporta sempre, porque então podemos fazer o que queremos…” — página 42
“Organização? Não buscamos organização alguma. O que é orgânico não precisa ser organizado. Vocês constroem de fora para dentro, nós construímos de dentro para fora. Vocês constroem utilizando a vocês mesmos como pedras, e acabam ruindo por dentro e por fora. Nós nos construímos desde dentro como árvores, e crescem pontes entre nós que não são de matéria morta ou força bruta. De nós emerge o vivo. Em vocês, submerge o inanimado.” — página 91
“Ele havia dito algo sobre o horror de se calar, em como está indefeso e despido alguém em silêncio, e agora eu o entendia.” — página 161
“Ela nada sabia dos lunáticos e de sua cidade deserta, e no entanto cairia sob a lei tão inevitavelmente quanto eles, pois sonhava com uma ligação que não ao Estado. E mais: eu também. Pois já não sentia esta outra ligação, anárquica e inescapável, entre mim e ela?” — página 166
“Olhou em torno da sala, sem fixar-se especialmente em ninguém, nem mesmo em mim. E por que se fixaria em mim? Ele não sabia que eu o denunciara, tampouco que eu devorava, mergulhado no desespero, todos os seus movimentos e gestos. Uma sombra de esperança me perpassou: talvez não só eu, talvez algum outro dos que ali estavam portasse sob a máscara o mesmo desespero que eu? Talvez muitos?” — página 172
“Ele fechou os olhos e sorriu levemente. Era um sorriso triste e sem esperanças, dirigido a ninguém, como se ele tivesse sido todo o tempo consciente de sua solidão absoluta e se encerrado e até mesmo procurado repouso nela, assim como eu imaginava um viajante polar sonolento buscando repouso no frio, mesmo sabendo que dormiria para sempre. Enquanto a kallocaína agia, seu sorriso desamparado espalhou-se sereno no rosto cheio de rugas. E mesmo que demorasse horas para falar, não se poderia desviar o olhar dele.” — página 173
“Não sentia nenhuma compaixão pelo fato de que ele seria condenado e morto, mas estava terrivelmente amargurado por ter me maculado ao denunciá-lo. E eu o escutava tão avidamente como havia escutado Linda, apenas com mais ansiedade.” — página 174
“O que sei é que pais doentes e professores doentes educam crianças ainda mais doentes, até que a doença se torna normal, e a saúde, um pesadelo. De seres solitários nascem outros mais solitários ainda, de temerosos, outros mais temerosos…” — página 175
“– Eles pressentem! – murmurou, e seu sorriso brilhou mais e se tornou menos desamparado. – Eles têm medo, ficam na defensiva porque pressentem. Minha esposa pressente, quando não quer ouvir e faz com que eu fique quieto. Os participantes do curso pressentem, quando tomam o mais superior dos ares e me ridicularizam. Deve ter sido um deles que me denunciou, minha esposa ou um deles. Quem quer que tenha feito isso, pressentiu. Quando falo, eles ouvem a si mesmos. É a eles mesmos que temem, quando me movo e existo.” — página 176
“Mas em meio a projetos de Estado e projetos de transformação do Estado, floresceu um gênero sombrio, que se convencionou chamar de distopia. É a utopia às avessas, o mundo real projetado não para um futuro desejável, e sim para um futuro atroz e – o que é pior – cada vez mais próximo e inevitável.” — página 193
Registro de Leitura
O Sol Também se Levanta — Ernest Hemingway
Avaliação: ★☆☆☆☆
Formato: ebook
Eu sabia que o livro se passava em uma tourada na Espanha, mas achei que era apenas a ambientação, não que o "espetáculo" fosse ser detalhamente descrito. Isso já me tirou muito da história, sou terminantemente contra touradas, imagina saber de como acontece em cada detalhe? Com o Hemingway exaltando todo aquele horror como se fosse a coisa mais engrandecedora que existe? Acho que não ajuda o fato de eu ter pego ranço do escritor depois de ler "Casados com Paris", de saber que tudo em O Sol... aconteceu de verdade e ele retirou a própria esposa da história. Desculpa, gente, mas não consigo separar artista da obra, garro ódio mesmo! (e ainda assim, eu estava com expectativas de gostar, de ser conquistada, se realmente fosse bom). Mas aí, como se já não fosse o bastante, é tudo muito vazio, mesquinho. Os personagens tem diálogos simplórios, para não dizer bobos, na maior parte da história. A Geração Perdida é tão fútil quando o Movimento Beat, e nenhum dos dois me atrai. Detestei!
Trechos Favoritos:
“Escute, Robert, tanto faz um país como outro. Tenho experiência disso. Não podemos sair de dentro de nós mesmos. Não adianta.” — página 22
“Durante o dia, nada mais fácil do que mostrar que não se dá importância, mas, à noite, é diferente.” — página 48
“Não sei por que sentia essa necessidade de atormentar Cohn. Ou, ao contrário, sabia muito bem. Eu tinha um ciúme cego, imperdoável, do que ele tinha vivenciado. O fato de que o tivesse tomado como um acidente nada significava. Como o odiava! Acho que não havia começado a detestá-lo até este momento, mas, ao almoço, quando ele mostrara o tal ar de superioridade, sim, e ainda houve toda aquela história de ir à barbearia. Pus no bolso o telegrama, que aliás fora dirigido a mim.” — página 116
“Sorriu novamente. Sorria sempre, como se as touradas tivessem um sentido especial para nós dois, como se houvesse um segredo muito chocante, mas bastante profundo, que ambos conhecíamos. Sorria sempre, como se nesse segredo houvesse algo de obsceno para os outros, porém muito compreensível para nós. Não se deve divulgar um segredo entre pessoas que não o compreenderiam.” — página 151
“Eu gostava de vê-lo magoar Cohn, mas desejaria que não o fizesse, porque, em seguida, sentia repulsa de mim mesmo. E nisto consiste a moral: coisas que fazemos e das quais depois sentimos repulsa.” — página 170
Registro de Leitura
Estranhos: Vestígios de um Casamento — Belle Burden
Avaliação: ★★★★★ ❤︎
Formato: ebook
Devastador. É difícil colocar em palavras o que senti lendo "Estranhos" porque eu mesma estou passando por um processo de separação complicado, nem tanto por coisas práticas, mas emocionalmente. Tenho poréns em ler pessoas privilegiadas, isso me distancia pela óbvia diferença de classes e por achar que tudo fica BEM mais fácil se você tem dinheiro pra chorar em Martha's Vineyard, por exemplo, mas acredito também que existem sentimentos universais, e foram esses que fizeram com que eu me conectasse com a história da Belle. E, também, o que ela nos conta tem contornos muito assombrosos sobre a natureza humana, representada no ex-marido dela. Uma enorme incógnita que deixa um gosto amargo. Tive diversos sentimentos lendo, e vou ficar devendo uma resenha mais coesa que essa. Terminei o livro na maior bad. Tô apavorada!
Trechos Favoritos:
“Olhei para as mãos dele, para o meu corpo, e senti vergonha do meu pijama de senhora e das minhas meias, notando uma mancha de óleo do jantar no algodão fino da calça.” — página 11
“Minha empatia e preocupação se transformaram em perplexidade. Ela tomou os comprimidos no momento em que eu — a esposa de James há duas décadas — descobri sobre ela? Não era eu quem deveria desmoronar? Não era comigo que ele deveria estar preocupado? Ela havia capturado a atenção de meu marido, seu zelo, quando eu mais precisava.” — página 14
“Eu achava que era feliz, mas não sou. Eu achava que queria nossa vida, mas não quero — disse ele. — Sinto como se uma chave tivesse virado. Para mim, acabou. Pode ficar com a casa e o apartamento. Pode ficar com a guarda das crianças. Eu não quero. Não quero nada disso.” — página 17
“Quando falava, ele estava completamente calmo, com a voz baixa. Sua compostura me fazia sentir como se eu estivesse errada em estar abalada, em estar tão destroçada e confusa, como se o que estava acontecendo fosse algo que eu deveria absorver rápido e facilmente.” — página 18
“Embora se recusasse a falar comigo pelo telefone, ele mandou uma mensagem de texto clara: planejava dizer às pessoas que nossa separação tinha sido amigável, uma decisão conjunta. Falou que seria melhor, para meu próprio bem-estar, se eu também dissesse que queria isso.” — página 19
“A rapidez do nosso começo e a rapidez do nosso fim, da partida dele, eram farinha do mesmo saco. Ambos vieram do nada. Ambos me deixaram atônita. Em ambas as situações, ele foi categórico, determinado. Não houve área nebulosa. O interruptor ligou e depois desligou. Ele queria o nosso relacionamento, ele me queria. E depois, não queria mais.” — página 61
“Comecei a depender das caminhadas, como se fossem combustível. Eu tinha lido que a melhor maneira de lidar com uma tristeza de qualquer tipo era atravessá-la, em vez de contorná-la. Isso fazia sentido para mim. Acho que contornei a morte do meu pai, incapaz de entendê-la ou encará-la por completo. Mas, em minhas longas voltas solitárias, eu sentia como se estivesse literalmente caminhando através da minha tristeza, no lodaçal dela, dia após dia. Eu pude conhecê-la. Eu gritava na floresta. Chorava abertamente nas calçadas desertas de Vineyard Haven.” — página 112
“Atualmente, em minha angústia, ela não tripudiava. Parecia estar me lembrando do que já havíamos discutido muitas vezes: Todo mundo passa por algo. Agora é a sua vez. Cada vida tem uma crise definitiva. Essa, claro, era uma crise fácil, comparada a muitas outras, comparada à dela.” — página 119
“O que eu estou fazendo?, pensei. Ser detetive, buscar respostas, era sedutor — a adrenalina da caçada, a descoberta de uma prova irrefutável, o mistério resolvido. Porém o desespero daquilo também parecia horrível. A completa falta de respostas… Era como me atolar num pântano, um pântano que me engoliria. Eu precisava sair daquele lugar — um lugar que era totalmente focado em James, na mulher com quem ele estava saindo, em tentar entender como ou por que aquilo havia acontecido.” — página 139
“Onde ainda nos sentávamos no mês de março anterior, sem imaginar que tudo estava prestes a mudar no mundo e em nossa família. Eu quase podia ver a nuvem escura pairando sobre nós. Mas era como se a nuvem, a escuridão, só estivesse sobre mim e as meninas; James estava sentado sob um céu ensolarado.” — página 141
“O que ficou, o que ainda me causa um nó na garganta, um arrepio na espinha, não tem a ver com dinheiro. É a possibilidade de que existia um cronograma, um relógio cujo tique-taque eu não escutava. É a disposição dele em me causar medo quando eu já estava devastada, já estava no chão. É aquilo que ele deixou claro poucas semanas após sua partida: que ele acreditava que minhas contribuições ao longo de vinte anos para sua carreira, para nossa família, não significavam nada.” — página 208
“Eu havia escrito o artigo no formato de “Modern Love”, a coluna do New York Times sobre relacionamentos. Eu adorava aquela coluna desde que apareceu pela primeira vez, em 2004. Eu conhecia o ritmo dos textos, a fluidez, o impacto do final. Eu sabia o número de palavras.” — página 210
“Todas nós fomos ensinadas a tapar o buraco deixado pelos homens, a ficar caladas sobre o mau comportamento masculino, a seguir em frente com elegância. Publicar um relato do que me aconteceu era jogar uma luz naquele buraco, na profunda fenda que James havia deixado. Eu estava recusando tudo aquilo — limpar a sujeira, ser elegante.” — página 218
“Eu pude ver que aquela voz na minha cabeça, que me envergonhava, havia estado ali desde que eu era uma menininha, me avisando para não me manifestar, especialmente sobre um homem. Eu consegui ver que aquela voz era sexista. Eu vi que ela era silenciadora.” — página 230
Registro de Leitura
Pequenas Coisas Como Estas — Claire Keegan
Avaliação: ★★★☆☆
Formato: ebook
É um livro estranho. Ele se pretende abordar o tema das Magdalene Laundries, mas fica apenas na superfície desse tema. O ponto de vista de um homem católico também não ajuda muito a criar algum apego pelo personagem ou mesmo dar alguma visibilidade para a questão dos trabalhos forçados das vítimas dessas instituições. Ele toca no tema mais não aprofunda, e dá ênfase aos sentimentos do Furlong, praticamente o único homem da história, que é rodeado por mulheres mas não parece entende-las, ou mesmo querer isso. Nesse sentido, achei que ficou aquém, mas ao mesmo tempo, eu não consegui parar de ler até terminar, então alguma coisa nele me pegou. Tenho sentimentos conflitantes em relação a essa leitura.
Trechos Favoritos:
“Mas partia seu coração, mesmo assim, ver uma das suas filhas tão incomodada ante a visão do que outras crianças desejavam, e ele não pôde deixar de se perguntar se ela viria a ser corajosa o suficiente ou competente para o que o mundo reservava.” — página 18
“Era sempre a mesma coisa, pensou Furlong; prosseguiam mecanicamente, sem pausa, até a tarefa seguinte. Como seria a vida, ele se perguntou, se lhes fosse dado tempo para pensar e refletir sobre as coisas? Suas vidas seriam diferentes ou mais ou menos a mesma coisa — ou só perderiam o controle?” — página 19
“Às vezes elas podiam ser como jovens bruxas, suas filhas, com seus cabelos pretos e olhos penetrantes. Era fácil entender por que as mulheres temiam os homens, com sua força física, lascívia e poderes sociais, mas as mulheres, com suas intuições astutas, eram muito mais profundas: podiam prever o que estava por vir muito antes de acontecer, sonhar com tais coisas durante a noite e ler a mente dos outros. Houve momentos, em seu casamento, em que ele quase sentiu medo de Eileen e invejou sua coragem, seus instintos ardentes.” — página 21
“Por um bom tempo esperaram ali, no frio, no degrau da frente. Ele poderia tê-la levado consigo, ele sabia, e considerou levá-la para a casa do padre ou para casa com ele — mas ela era uma coisinha tão pequena e fechada, e mais uma vez a parte comum dele só queria se livrar daquilo e voltar para casa.” — página 44
“As pessoas podem ser boas, Furlong lembrou a si mesmo enquanto dirigia de volta para a cidade; era uma questão de aprender a administrar e equilibrar o dar-e-receber de maneira que te permitisse ficar bem com os outros e também com os seus. Mas assim que o pensamento lhe ocorreu, ele se deu conta de que o próprio pensamento era privilegiado, e se perguntou por que não tinha dado os doces e as outras coisas que ganhara em algumas das casas aos menos abastados que encontrara em outras. O Natal sempre trazia à tona o melhor e o pior das pessoas.” — página 64
“Por que as coisas que estavam mais próximas eram com tanta frequência as mais difíceis de ver?” — página 69
“À medida que avançavam e encontravam mais pessoas que Furlong conhecia e não conhecia, ele se viu perguntando a si mesmo se fazia sentido estarem vivos sem ajudarem uns aos outros. Seria possível seguir em frente pelos anos, décadas, por uma vida inteira, sem ter por uma única vez coragem suficiente para ir contra o que estava lá e ainda se chamar de cristão e se olhar no espelho?” — página 74
Registro de Leitura
Muñeca — Cynthia Gómez
Avaliação: ★★★☆☆
Formato: ebook em en-US
Eu não gosto de romantasia, mas faço tudo pelos challenges do Goodreads, então, foi o escolhido para um dos desafios, e gostei da leitura. O tempo todo fiquei imaginando ele como um filme, não sei por quê, mas eu adoraria ver a boneca possuída com meus próprios olhos. Mesmo que ache que ficaria tosco, como objeto "real", enfim. O melhor foi toda a parte de bruxaria, junto à questão familiar, que tem bastante peso na história. A contextualização da autora, ao fim do livro, também foi super interessante de conhecer. Indico.
Trechos Favoritos:
“It worked, sort of, mostly. But then as I grew taller and my body grew rounder, what came with it was something else, something restless and rattling, like a song in my head that I’d once known but forgotten. I started looking around me at the other girls at Tech, or at Casper’s Hot Dogs, where I worked after school, and once I started to recognize the restless ones, like me, I couldn’t stop noticing them. Girls who’d learned how to hide their restlessness, their hunger; who practically carried multiple selves in their purses. I might see them clipping dress pictures from bride magazines, their faces lighting up at the beautiful designs but going dark at talk of the groom. Or maybe going quiet, like me, whenever prom or homecoming came around and we were all supposed to find some boy’s arm to attach ourselves to. Now I know what we all had in common, and it took meeting Doris to see it.” “Funcionou, mais ou menos, na maior parte do tempo. Mas então, à medida que fui ficando mais alta e meu corpo foi ficando mais arredondado, surgiu algo diferente, algo inquieto e agitado, como uma música na minha cabeça que eu já tinha conhecido, mas esquecido. Comecei a observar ao meu redor as outras garotas na Tech, ou no Casper’s Hot Dogs, onde trabalhava depois da escola, e, assim que comecei a reconhecer as inquietas, como eu, não consegui mais deixar de notá-las. Garotas que haviam aprendido a esconder sua inquietação, sua ânsia; que praticamente carregavam múltiplas identidades em suas bolsas. Eu podia vê-las recortando fotos de vestidos de revistas de noivas, seus rostos se iluminando diante dos belos modelos, mas ficando sombrios ao falar do noivo. Ou talvez ficando em silêncio, como eu, sempre que chegava a época do baile de formatura ou do baile de boas-vindas e todas nós deveríamos encontrar o braço de algum garoto para nos agarrarmos. Agora sei o que todas nós tínhamos em comum, e foi preciso conhecer a Doris para perceber isso.”
“'No. How to keep your most important things secret. That cabinet won’t open for anybody but me.' If I’d been a different kid, I’d have smiled and nodded and said some version of, ‘Sure, Grandma.’ Or I’d have invented some excuse to get the hell out of there. But I’d grown up surrounded by dark, swirling rumors about this woman. I’d noticed the way my mother changed the subject if anyone talked about magic or witchcraft, a topic she never brought up, even once. And I’d seen the ragged scar on her shoulder that she never spoke of, never explained. Grandma was another topic that my mother refused to touch, and I respected that bright red line my entire life, until I didn’t. Until I turned thirteen and the lure of that secret was too powerful to ignore, the thought that Grandma’s magic might be in my veins, waiting to bloom.” “‘Não. Como manter em segredo as coisas mais importantes. Aquele armário não abre para ninguém, a não ser para mim.’ Se eu fosse uma criança diferente, teria sorrido, acenado com a cabeça e dito algo como: ‘Claro, vovó’. Ou teria inventado alguma desculpa para dar o fora dali. Mas eu cresci cercada por rumores sombrios e confusos sobre essa mulher. Percebia como minha mãe mudava de assunto se alguém falasse sobre magia ou bruxaria, um tema que ela nunca tocava, nem mesmo uma vez. E eu tinha visto a cicatriz irregular no ombro dela, da qual ela nunca falava, nunca explicava. A vovó era outro assunto que minha mãe se recusava a tocar, e eu respeitei aquela linha vermelha brilhante durante toda a minha vida, até que deixei de respeitá-la. Até que completei treze anos e a atração por aquele segredo se tornou forte demais para ignorar — a ideia de que a magia da vovó pudesse estar em minhas veias, esperando para florescer.”
Registro de Leitura
Alguém Caminha Sobre o seu Túmulo — Mariana Enriquez
Avaliação: ★★★★☆
Formato: ebook
De início, não estava gostando, mas em algum momento a Enriquez deixa as histórias um pouco mais pessoais e, daí, melhorou bastante. Tem alguns cemitérios em que me surpreendi com a atitude dela, e outros, chegam a emocionar. Uma leitura diferente e muito legal!
Trechos Favoritos:
Em breve.
Registro de Leitura
O Médico e O Monstro — Robert Louis Stevenson
Avaliação: ★★★★½
Formato: ebook
Eu costumo adoras clássicos, e com esse não foi diferente. Me peguei, em diversos momentos, o comparando com Frankenstein, por toda a parte filosófica da coisa. Gostei muito de como a construção dos personagens é bem feita. Muito bom!
Trechos Favoritos:
Em breve.
Registro de Leitura
84, Charing Cross Road — Helene Hanff
Avaliação: ★★★★★ ❤︎
Formato: ebook em en-US
Não esperava de jeito nenhum gostar desse livro, menos ainda dar nota máxima. Mas é impressionante como a leitura e os laços entre aquelas pessoas acabam te ganhando, te fazendo criar um apego com os personagens do mesmo jeito como eles entre si. É lindíssimo e mágico!
Trechos Favoritos:
Em breve.




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