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Off Campus

sexta-feira, 28 de agosto de 2026

Contém spoiler, por sua conta e risco. 

Terminei Off Campus (Prime Video, 2026) e posso dizer que ela me ganhou! Eu não esperava nada demais, não conheço os livros em que foi inspirada, só li muitos comentários de todos os lados quando estreou e resolvi pagar pra ver, e valeu a pena.

É uma série que parece bobinha, à primeira vista, mas se aprofunda em temas pesados sem perder o ritmo com as questões mais leves, os atores estão ótimos e tem muita química, o que eu acho imprescindível. Assim que vi a Ella Bright (Hannah), a achei muito parecida com a Brooke Shields, lindíssima!


Mas minha personagem favorita é a Allie e quero ver muito mais dela! Acho que a atriz (Mika Abdalla) ajuda muito, ela é extremamente carismática, e também me lembrou outra atriz que eu adoro, a Mary Elizabeth Winstead. A Allie também é um personagem com muitas ~questões~, muito bem construída, bem complexa, coisa que adoro ver em personagens femininas. Sem contar esse cabelo maravilhoso que eu queria muito copiar, acho que o meu ficaria bem parecido, só teria que encontrar um cabeleireire que eu confie que vai me dar esse resultado (nunca irei atrás, preguiça).
Outra coisa que gostei bastante é que as pessoas TRANSAM, coisa que, como um ser sexual, gosto de ver, e, principalmente, por serem jovens transando, porque atualmente, os programas estão bastante “higienizados”, nesse sentido. Não que eu ache que eles não podem não querer fazer sexo, mas é, geralmente, uma fase em que as pessoas transam pra se encontrar, experimentar, e até mesmo pra ter certeza de que essa não é sua praia. Então, sim, eu gosto de programas que mostrem pessoas com tesão, esse é meu clube. E gosto de ver corpos nus, sorry not sorry.
Enfim, soube que a segunda temporada vai ser focada na Allie e no Dean, e já estou prontíssima pros dilemas da queridíssima! Pode vir!



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Inferno Astral

O inferno astral nunca foi ALGO na minha vida, eu só o citava quando acontecia algo chato às vésperas do dia que nasci e seguia em frente. Nunca senti que era algo super certo, que realmente existisse, como os milagres de São Longuinho, que é algo totalmente exato. São Longuinho é o meu “yo no creo en brujas, pero que las hay, las hay” porque, nas bruxas, eu acredito demais, agora crer em santos, de jeito nenhum. 

Mas enfim, inferno astral não tinha influência alguma na minha existência. Só que algo mudou, desde que meu pai morreu. Desde então, eu detesto comemorar meu aniversário. Nem tanto enquanto um bolinho na mesa, mas mais no estilo que ele mais gostava de comemorar, como confraternização. Não quero confraternizar com ninguém esse dia, além do meu núcleo familiar (mãe, irmãos e companheiro, e agora, minha sogra e sua irmã, família que ganhei como um bônus na vida). 

E a isso se somou uma crise próximo à data, por sentir que esperam de mim justamente essa confraternização e essa alegria em comemorar a vida, algo que não sinto desde a infância. É só que, depois que meu pai morreu, eu fiquei ainda mais antissocial (ou, desconfio, meus traços de TEA se agravaram). 

Tem lugares que não consigo mais frequentar e tem situações que me são insuportáveis, coisas que para outras pessoas, percebo, são super normais. Eu não gosto mais de ir a Mosqueiro, lugar que acredito ter sido o favorito da vida do meu pai, e não suporto mais ir na casa da minha avó materna, falecida, que agora é a casa da minha tia, por exemplo. Percebo que o resto da minha família não tem problema algum com isso, mas eu simplesmente não suporto mais frequentar. 

Enfim, faz 3 anos que não passo mais essa data da maneira que EU gostaria, e, principalmente, com a presença da minha mãe, que é o ponto que mais me pega, porque foi ela que me deu esse dia e a sua presença é essencial nessa data, e em trânsito, em lugares ou situações que não são as minhas ideais. E aí uma crise se instala nos dias anteriores, que nem são tão sentidas no dia em si, mas que me deixam péssima até ele. 

Eu diria que é mais um tipo de depressão pré-aniversário, atualmente. Fico realmente coisada, estranha, fora do ninho, que não é um lugar, é uma sensação. Crise de perguntar, sem ironia, “o que eu tô fazendo da minha vida?”. Eu não tenho respostas, não tenho uma análise, é só que estou passando por esse momento exatamente agora e queria colocar algo pra fora, nem que seja um amontoado de palavras sem sentido. Antes eu nunca vivi um inferno astral, agora eu realmente sinto que vivo, de outra forma, mas não menos impactante. Talvez, até mais.
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Ser do mundo, ser do interior

terça-feira, 13 de maio de 2025


Meu pai era um homem da natureza. Ele buscava sempre esse contato, nas férias em família nunca havia a opção de ir pro mundão, era sempre pra cidades menores, próximas, do interior do Pará. Mesmo quando em Fortaleza, em que moramos por um breve tempo, tenho lembranças, mesmo tão pequena, das estradas cheias de mato e casas humildes vez em quando. Ele era claramente um homem do interior.

Eu já sempre pensei que era alguém da cidade grande. Me chamava mais atenção e desejo as facilidades da vida do que estar em lugares em que o básico já é tudo. E talvez eu seja mesmo essa pessoa da cidade, pois foi onde me criei e usufrui das particularidades, mas esses tempos, coincidentemente quando em Fortaleza novamente, que me puxou mais pro interior, ou ao menos à praia, que era um lugar não tão bem quisto por mim, isso mudou um pouco. Me criei nas praias, sejam as de Fortaleza, sejam as de rio, em Belém. Meu pai era cria da praia, morou grande parte da vida no Marajó, um lugar cercado por água, já que é uma ilha. Eu fui criada na praia mais por esse amor dele pelo lugar do que por minha própria vontade e passei grande parte da vida adulta fugindo do sol & mar, meio que me sentindo exaurida desse ambiente, já que toda e qualquer oportunidade, lá estávamos nós na praia. 

Quando alguém falava em praia, eu já declinava, "não, obrigada". Então agora morando em Fortaleza, retornando ao meu lugar de nascimento, tenho sentido um amor indescritível por praias e pela ideia de singrar o interior. Não tenho nenhum desejo em conhecer a "América", ou mesmo a Europa, apesar desse segundo me chamar mais atenção, só que ando sonhando mais em conhecer a cadência local de sol & mar, as cidades menores. Soube que tem, no interior do Ceará, locais que tem clima de serra, faz frio! Que sonho estar no Ceará e precisar vestir casaco, tomar um chocolate qunte e sentir um clima bem mais ameno que o calorzão pelo qual o estado é conhecido. O melhor de dois mundos, não é? Então que agora me descubro uma grande apaixonada por essa seara que, por um bom tempo, eu fugi de ter contato. 

Acho que a idade vai trazendo essas novidades na gente, que nem imaginamos ser possível. Se alguém me dissesse, em 2020, que em breve eu estaria morando em Fortaleza e desejando uma vida no interior, diria que a pessoa só podia não me conhecer minimamente. Parece que, no final das contas, a gente também vai se (re)conhencendo com o tempo. E que bom que cabe tantas gentes aqui dentro.
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Cada Um Sabe a Dor e a Delícia de Ser o Que É

domingo, 5 de maio de 2024

Existe maior exemplo de mulher que ousou ser quem é? Não tem! 

Às vezes, um pensamento perturbador me consome. O de que gostaria de ser a mulher que consegue viver um relacionamento de aparências. Acabei de me separar e não tem sido fácil. O fácil mesmo seria continuar como estava, mesmo com todas as frustrações. Mas eu sempre soube, e sempre comuniquei, que nunca ficaria com alguém se não fosse por amor. Amor puro e simples, direto. Até que meu amor não foi o bastante, milhões de outras coisas envolvem estar num relacionamento e isso dar certo.

Quando via filmes de mocinhas corajosas que enfrentavam tudo e todos em nome do amor (é, eu sei), ou qualquer outra coisa que as movia no movimento contrário ao esperado, me questionava se eu conseguiria ter essa coragem. Porque ir atrás dos próprios desejos, pra nós, mulheres, é sempre motivo pra perseguição. Muitas foram condenadas, inclusive, mortas. Continuam sendo, todos os dias. Ficava questionando porque eu nunca quis ser passiva, aceitar as coisas como são, viver pela metade. Mas o perigo sempre é tão grande, eu não ia querer morrer, e em nome de quê, afinal? E acabava concluindo que não conseguiria me pôr em risco dessa forma. Que iria acabar por me preservar.

O que eu não sabia era que tem algo dentro da gente que é exatamente quem a gente é, pra além de todas as convenções e expectativas. E, felizmente ou infelizmente, não consigo deixar de ser quem sou. Quem questiona, analisa, filosofa, pensa, deseja, não se contém. Acho que, agora, depois de ter mudado radicalmente, estar com a vida de cabeça pra baixo e estar disposta a lutar pelo meu futuro e independência, posso dizer que eu teria sim coragem. Eu seria como a Joanna D’Arc da minha própria vida, custasse o que custasse. Está custando e eu estou pagando, e não poderia fazer diferente.

P.S.: timing engraçado de ter começado esse post antes do show da Madonna em Copacabana, ter visto pela tv e, depois da catarse que rolou, termina-lo no dia seguinte ao evento que trouxe tanto no que pensar sobre liberdade. Parece que essa postagem fez ainda mais sentido pra mim. A arte salva mesmo, né?

 

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Black Mirror - Ano 6

quarta-feira, 10 de abril de 2024

Comecei a ver Black Mirror ainda em 2015, quando os episódios entraram na Netflix (duas temporada, cada uma com 3 episódios), principalmente pela curiosidade com o furor com que algumas poucas pessoas falavam a respeito. Mas ela não era nada conhecida ainda, quase ninguém falava dela. Eu lembro perfeitamente da sensação de quando vi o primeiro episódio, The National Anthem, uma agonia sem fim! Quando terminei de vê-lo, estava tão chocada com tudo aquilo, que fiquei em séria dúvida se deveria continuar. Isso não é bem inédito na minha vida, lembro de outra série que, tendo visto o primeiro episódio, achei que não conseguiria mais ver, e foi Dexter. A quantidade de sangue já na estreia me deixou muito afetada, então eu parei ali. Meses depois, resolvi dar uma segunda chance, e obviamente fui abduzida pela maravilhosidade com que a série foi se desenrolando, obcecada por todos os percalços por que passava um dos nossos anti-heróis favoritos, Dexter Morgan. Virou uma das favoritas da vida.

Outra em que isso aconteceu, e ganhou o posto de série preferida por um longo tempo foi Sons of Anarchy. O primeiro episódio era de uma violência brutal (para a época ou para mim) e eu não quis dar continuidade. Mas ela ficou tão na minha cabeça que, dias depois, retomei. E me apaixonei completamente. E virou uma das séries pela qual tenho um carinho enorme e também figura dentre as minhas Top 10. Então todas são séries que vão te despertar sentimentos muito contraditórios, exatamente como quando a gente sabe que não devia gostar de ver true crimes da vida, mas simplesmente não consegue parar, até que se vê inteiramente entregue e nada mais do absurdo da coisa te espanta. O ideal seria parar já no início. Depois, te garanto que já era. 

Mas então eu fui lá, e um belo dia dei play no segundo episódio, Fifteen Million Merits, e não dava mais pra voltar atrás. Só fui adiante, e depois de milhões de explosões na minha cabeça, com esses 6 episódios, eu estava arrebatada. QUE SÉRIE! A questão é que essas duas primeiras temporadas foram produzidas para o Channel 4, do Reino Unido, em 2011. Só em 2015 a Netflix comprou e passou a produzir, e aí foi o começo do fim. Além da perda do charme, sarcasmo e insanidade britânicos, os roteiros já não contavam mais com algo que acho que é a essência de Black Mirror: a junção de tecnologia analisada sob a perspectiva filosófica, questões morais e a veia visionária. É um produto que te escandaliza e te faz refletir muito. Dá medo imaginar aquelas realidades. Até que algumas delas finalmente chegaram e nos vimos vivenciando aquelas histórias, obviamente forjadas dentro do que é possível para um produto de entretenimento prever. Era preciso olhar ainda mais adiante e prever quais serão as nossas batalhas futuras. 

Isso, hoje, não existe mais. E não foi uma perda completa, a terceira e quarta temporadas ainda seguem bastante da premissa, o que faz valer a experiência. Eu gosto delas, apesar de já sentir alguma diferença, já havia uma perda de rota. Penso muito que BM, como foi concebida, não atrairia tanto público, visto que muito poucas pessoas teriam estômago pra acompanhar os desafios aterradores impostos aos protagonistas, então a Netflix precisava dar uma higienizada para conquistar uma audiência maior. E foi o que ela fez. Só que chegou num ponto, a partir da quinta temporada, que perdeu completamente o sentido. Você vê que claramente a produção não estava mais preocupada em manter qualquer qualidade, já que foram produzidos apenas 3 episódios, com histórias pífias. Até assistíveis, mas sem primor algum, marca da série. Depois inventaram o filme em que, a cada escolha que você fazia, a história se encaminhava para uma direção diferente. Quando terminei de ver, achei abominável! Não precisava, sabe? 

E então, chegamos na sexta temporada. Eu não estava esperando nada mais porque já chega de decepções. Mas sou uma pessoa que, apesar de relutar bastante, se contagia com as expectativas dos outros. Algumas pessoas se disseram empolgadas, e prometi a mim mesma que a série pode ter mudado e, ainda assim, ser algo legal de acompanhar, fui muito de mente aberta ver. O primeiro me deu uma leve agonia que me surpreendeu. Talvez pudesse rolar uma boa temporada! Mas não, gente. Eu me abri, mas não recebi nada de volta. Posso dizer que gostei mesmo apenas de Beyond The Sea, e Demon 79 eu adorei simplesmente porque o terror contido, a ambientação e o carisma da Anjana Vasan me ganharam, mas sei que, em termos de roteiro, não é nada NADA demais. 

Então Black Mirror, hoje, soa mais como uma sombra do que já foi. Ás vezes, penso que o que não faz mais ela funcionar tão bem é o fato de que estamos vivendo no universo de Black Mirror. Tudo que um dia nos chocou na série, hoje tá mais que acontecendo, está até sendo reinventado. Ou realizado de forma diferente, mas com o mesmo objetivo. Acho que nada é mais Black Mirror que nossa realidade atual e por isso, a série não seja mais o que foi, apesar de eu acreditar que dava sim pra imaginar o que vem depois, como ela fez um dia, e seguir nos chocando. Mas pelo visto, ao menos agora, não vai rolar. Vou seguir vendo? Vou! A esperança é realmente a última que abandona o barco, né? Mas não espero nada, e assim, talvez consiga ganhar algo, insistindo em ver.

OBS: desculpem o atraso, essa postagem tava meio pronta desde que saiu a temporada mas a vida me atropelou, e só hoje resolvi resgatar. 
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