SOCIAL MEDIA

Contexto

quarta-feira, 9 de setembro de 2026

Hoje resolvi vir aqui meio que dar um contexto da minha vida, atualmente. Pra quem me conhece há mais tempo, sabe que "sou" de Belém. Eu não nasci lá, mas vamos dizer que, por um desvio de percurso, eu nasci em uma cidade completamente diferente da cidade onde toda a minha família mora. Na real, eu nasci em Fortaleza, mas todo ano íamos a Belém para visitar família, então sempre me senti em casa na cidade, até que nos mudamos de vez quando eu tinha uns 8 anos e, desde então, é "minha" cidade. Não tem como dizer que não, ás vezes, até esqueço que não nasci lá. 

Mas numa dessas reviravoltas da vida, onde eu estou morando atualmente? Fortaleza! Pois é, rodei rodei e acabei parando aqui mesmo. Eu acho muito doido isso, sabe? A vida, ela. O motivo principal é que me apaixonei, fui morar em Jundiaí no início da relação (ele morava em SP) e depois juntamos nossos trapos e resolvemos morar juntos. Só que São Paulo é uma cidade com o custo de vida muito alto, no momento, e não estava me sentindo feliz lá. Então, resolvemos vir pra Fortaleza, cidade onde está toda a família do G. e onde temos melhores oportunidades profissionais. 

Só que, no momento, estamos morando com outras pessoas, enquanto elas não se mudam pra casa que construíram para morar. E essa situação está acabando com meu psicológico. Porque duas das três pessoas são completamente diferentes de mim em tudo, e não tem a menor noção de convivência. Já não é fácil morar longe de qualquer familiar, ainda ter que aturar pessoas sem educação e que nem falam com você, é terrível. Chegou num nível que tenho tomado remédio para ansiedade, que é apenas eventual para quando tenho crise, praticamente todos os dias. 

Quis vir falar a respeito porque acredito muito no poder do desabafo, e também para que vocês entendam que, independente do que eu postar aqui, tem essa nuvem pairando na minha cabeça, que não me deixa em paz. Não vejo a hora de sermos apenas G. e eu, construindo nossa história e nosso lar. Por enquanto, isso parece o mais distante possível de acontecer, mesmo que cada dia esteja mais próximo desse sonho se realizar. Torçam por mim, uma fézinha sempre ajuda. Eu acredito.
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Rhino Season - Bahman Ghobadi

sexta-feira, 4 de setembro de 2026

Às vezes, a gente vê um filme muito bonito, mas sem substância, o roteiro não entrega nada. Eu não costumo gostar desse tipo de filme, ainda que eu adore a beleza per se, mas só ela, não dá. Me soa pretensioso.
Mas Rhino Season não é vazio. Ele é bonito e substâncioso, é daqueles filmes que você vê e guarda com você. É lindíssimo, de um jeito muito único, e é até baseado em algo real, que são os diários do poeta curdo-iraniano Sadegh Kamangar, aqui representado pelo personagem Sahel. Homens são capazes das atitudes mais egoístas para conseguir o amor de uma mulher, mas a história também mostra que a força de um amor verdadeiro nunca desvanece. Triângulos amorosos sempre me despertam curiosidade, as consequências desse tipo de relação são impossíveis de prever.
Eu odeio indicar coisas que gosto porque sou péssima em encontrar palavras pra definir porquê gostei, mas, ao mesmo tempo, eu preciso fazer a indicação, e gosto de deixar registrado como o filme me impactou. Por isso, como as palavras fogem de mim, deixo as imagens, acho que nada melhor que elas pra fazer alguém se interessar em ver. Indico demais!
Rhino Season
Dirigido por Bahman Ghobadi
Iraque, 2012
Disponível em Reserva Imovision
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Me Conhecendo Melhor

terça-feira, 1 de setembro de 2026

Foto tirada por Guzz.

Eu não participei do BEDA este ano, mas preciso dizer que foi graças a ele, que resolvi retomar a blogueiragem. Não aguento mais a dinâmica das redes sociais, que agora são impessoais, com todo mundo despejando apenas desaforos sem qualquer contexto, e a gente engolindo todas as mazelas de quem seguimos. Veja bem, é ok quando a pessoa, algumas vezes, que desabafar sobre algo que aconteceu com ela e isso cria uma rede de conversa, mas as pessoas simplesmente não sabem mais ser pessoais nesses lugares. Ao invés de comentar sobre problemas micro, elas preferem comentar o macro, a última polêmica ou notícia tenebrosa, causando uma verdade sensação de miséria a todos que recebem essas notícias.

Isso tem me feito extremamente mal, o problema não são as redes sociais, são as pessoas que levam toda sua indignação pras redes, e no fim, de que adianta? Apenas click bait ou rage bait, termos que significam as ações mais deploráveis em se tratando de internet.

Mas não foi sobre isso que quis vir aqui, foi apenas apresentar esse contexto pra explicar que os blogs seguem me fazendo muito mais feliz e saudável. Os blogs pessoais seguem sendo um grande respiro não apenas das mazelas online, mas também da vida "real". E o BEDA foi responsável por me resgatar, nesse sentido, depois de consumir diversos posts incríveis de pessoas mais incríveis ainda neste último mês.

O que eu quero mesmo aqui é colar um meme (que nos primórdios da internet era uma corrente em que blogueiros criavam um tema, elaboravam e indicavam para outros amigos blogueiros postarem em seus blogs) que vi no blog da Paloma, que participou da celebração de blogs do mês de agosto. Sim, estou roubando na cara de pau, desculpa, gente. Então, sem mais delongas (UFA!), vamos ao meme.

✦ Perguntas

Quando surgiu a ideia de criar seu blog?

Não sei bem como, nem porquê, mas em 2020 eu decidi voltar a blogar e estamos aí desde então, aos trancos e barrancos. Meu primeiro blog data de 2008, e nunca deixei definitivamente de postar textos na internet, então acho que é só algo que faz parte de mim.

Qual é a origem do nome do seu blog? Trocaria o nome? Por qual?

O nome desse blog foi tirado de um livro, que é dos meus favoritos da vida (e indico muito mesmo), chamado The Outsiders, escrito pelo S. E. Hinton. Não posso dizer exatamente o contexto, porque seria dar spoiler, mas é um dos momentos mais bonitos da história. Ponyboy forever. E não, não trocaria por outro, gosto muito desse e acredito que seja definitivo.

Você tem outros blogs além deste?

Blog blog não, só tenho meu Tumblr, que acredito ser para postagens mais simples, sem muito contexto, de coisas que chamaram minha atenção no momento ou coisas que sinto, pensamentos soltos. Quem ainda usar Tumblr e quiser me adicionar, é o qlaudjenha.tumblr.com.

Já pensou em desistir do seu blog alguma vez?

Criei esse em 2020, se não me engano, e nunca pensei em desistir completamente, só deixei de lado por alguns longos períodos, coisa que me arrependo hoje. Mas agora espero retomar o hábito e não abandonar mais.

O que te faz continuar com um blog em tempos de scrolls infinitos?

Justamente o que citei acima. Toda a raiva e indignação vazia das pessoas, muitas vezes para sinalizar virtude, inclusive, me retiram totalmente dos ambientes redes sociais. São postagens que acabam com meu dia, ou me deixam mau humorada, ou triste, ou tudo junto, e isso, definitivamente, não pode fazer bem a ninguém.

Qual seu post favorito no blog?

O Flor & Pitty, que escrevi logo após a perda da minha cachorra Pitty, em novembro, depois de ter perdido a minha outra cachorra Flor, em abril do mesmo ano. Foi um golpe duríssimo naquele já terrível ano de 2020. Sinto que até hoje não superei a perda delas, e nesse texto conto resumidamente minha história com as duas.

Deixe uma mensagem para seus leitores:

Sei que meu blog não é muito frequentado, pois eu mesma já o deixei abandonado por vezes demais, mas a quem acompanhar e gostar do que lê por aqui, muito obrigada por me fazer companhia. A gente joga mensagens engarrafadas no mar, e espera que alguém receba e tome conhecimento da nossa existência, e acredito que os blogs são exatamente essas mensagens.      

Rapidinhas Sinceras (do momento)

Uma música: Boy, The Killers

Um livro: Trilogia de Copenhagen, Tove Ditlevsen

Um filme: Sound of Falling, 2025

Um hobby: ler livros

Um medo: não ter autonomia

Uma mania: entortar pés ou mãos até o ponto de só perceber quando já está doendo muito rs

Um sonho: ter minha casa própria e decora-la do meu jeitinho

Não consigo viver sem: filmes

Tem coleção de alguma coisa? de itens de papelaria e de maquiagem rs

Do que mais gosto no meu blog? do tema, acho

Gostaria de fazer alguma pergunta aos próximos participantes? qual seu filme favorito?

Desejo literário do momento: Trilogia de Copenhagen, pois li em ebook, e quando gosto muito de um livro, quero ter a edição física

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Exausta

sábado, 29 de agosto de 2026

Foto tirada num passeio com o Freddie

Faz duas semanas que T. está internada e todos os dias, desde então, temos ido à casa de R. para levar Freddie pra passear e fazer companhia a ele. Chegamos ali pela tardinha e ficamos até umas 19:30h.

Não sei se todo mundo que me lê sabe, mas uns 3 anos atrás fui diagnosticada com TEA. Eu só recebi o diagnóstico e não soube (ainda não sei) o que fazer com a informação. Não faço tratamento, não tomo medicação especificamente pra isso (tomo antidepressivo e ansiolítico pra outros males), vou apenas vivendo como sempre, me sentindo uma pessoa “estranha”, que ninguém é capaz de entender.

Disso, tiro duas coisas que são muito caras pra mim: socialização e sair. Eu não posso de jeito algum ter tanto contato com pessoas, isso me drena completamente. Todos os dias, impossível. Preciso de muito tempo “sozinha”, na minha rotina, pra me manter regulada.

Sair é ruim pra mim. Não gosto de sair muito, na verdade, não gosto de sair quase nunca. Não sintam pena ou achem que isso é ruim, isso não me traz sofrimento, é o contrário. Se eu respeitar essas duas coisas, fico bem.

Dito isso, preciso falar que estou extremamente cansada. Não é “só” o cansaço físico, e muito também (talvez mais?) cansaço social. Ando me arrastando por aí, desanimada, mau humorada, sonolenta. Leio muito que pessoas como eu precisam conhecer seus limites e respeita-los, mas não creio que dê pra viver sempre no ideal, né? Não posso simplesmente negar ajuda a pessoas que precisam de mim, de ajuda, de apoio. Então, não é uma reclamação, é uma constatação, um aceitar que a vida não é um morango, como dizem. Tento me manter regulada o quanto posso, mas a gente não consegue controlar tudo e a vida também é passar por esses momentos.

Só espero muito que T. saia do hospital (ela já está bem, quanto a isso não há mais preocupação, o problema agora é burocrático, como sempre) e eu possa me regular o quanto antes.


P.S.:  exatamente hoje, T. recebeu a tão desejada alta e está muito bem. Eu, cansada, mas feliz!

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Sensível demais

sexta-feira, 28 de agosto de 2026



Se eu fosse contar quantas vezes eu tive uma verdadeira crise quando alguém me pergunta “tudo bem?”, não caberia nos dedos das duas mãos. Parece que meu cérebro entende como literal algo que as pessoas usam como interjeição de tratamento. 

Hoje, enquanto conversava com minha mãe no aplicativo de mensagens da família brasileira, e ela fez essa pergunta, eu caí num dos choros mais sentidos da vida. Se ela estivesse me vendo, provavelmente, ficaria assustada. Acho que qualquer pessoa ficaria. Não ajuda que eu tenha acordado 3:40h da madrugada e não conseguido mais dormir, mas ainda assim. Acho que tive um meltdown. Depois da crise fui dormir, acho que mais pra me anestesiar do que pra descansar. 

Não sei como faço pra não ter crises depois de as pessoas me perguntarem como estou sem realmente quererem saber o que estou sentindo. Não faço sentido nenhum.
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Off Campus

Contém spoiler, por sua conta e risco. 

Terminei Off Campus (Prime Video, 2026) e posso dizer que ela me ganhou! Eu não esperava nada demais, não conheço os livros em que foi inspirada, só li muitos comentários de todos os lados quando estreou e resolvi pagar pra ver, e valeu a pena.

É uma série que parece bobinha, à primeira vista, mas se aprofunda em temas pesados sem perder o ritmo com as questões mais leves, os atores estão ótimos e tem muita química, o que eu acho imprescindível. Assim que vi a Ella Bright (Hannah), a achei muito parecida com a Brooke Shields, lindíssima!


Mas minha personagem favorita é a Allie e quero ver muito mais dela! Acho que a atriz (Mika Abdalla) ajuda muito, ela é extremamente carismática, e também me lembrou outra atriz que eu adoro, a Mary Elizabeth Winstead. A Allie também é um personagem com muitas ~questões~, muito bem construída, bem complexa, coisa que adoro ver em personagens femininas. Sem contar esse cabelo maravilhoso que eu queria muito copiar, acho que o meu ficaria bem parecido, só teria que encontrar um cabeleireire que eu confie que vai me dar esse resultado (nunca irei atrás, preguiça).
Outra coisa que gostei bastante é que as pessoas TRANSAM, coisa que, como um ser sexual, gosto de ver, e, principalmente, por serem jovens transando, porque atualmente, os programas estão bastante “higienizados”, nesse sentido. Não que eu ache que eles não podem não querer fazer sexo, mas é, geralmente, uma fase em que as pessoas transam pra se encontrar, experimentar, e até mesmo pra ter certeza de que essa não é sua praia. Então, sim, eu gosto de programas que mostrem pessoas com tesão, esse é meu clube. E gosto de ver corpos nus, sorry not sorry.
Enfim, soube que a segunda temporada vai ser focada na Allie e no Dean, e já estou prontíssima pros dilemas da queridíssima! Pode vir!



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Inferno Astral

O inferno astral nunca foi ALGO na minha vida, eu só o citava quando acontecia algo chato às vésperas do dia que nasci e seguia em frente. Nunca senti que era algo super certo, que realmente existisse, como os milagres de São Longuinho, que é algo totalmente exato. São Longuinho é o meu “yo no creo en brujas, pero que las hay, las hay” porque, nas bruxas, eu acredito demais, agora crer em santos, de jeito nenhum. 

Mas enfim, inferno astral não tinha influência alguma na minha existência. Só que algo mudou, desde que meu pai morreu. Desde então, eu detesto comemorar meu aniversário. Nem tanto enquanto um bolinho na mesa, mas mais no estilo que ele mais gostava de comemorar, como confraternização. Não quero confraternizar com ninguém esse dia, além do meu núcleo familiar (mãe, irmãos e companheiro, e agora, minha sogra e sua irmã, família que ganhei como um bônus na vida). 

E a isso se somou uma crise próximo à data, por sentir que esperam de mim justamente essa confraternização e essa alegria em comemorar a vida, algo que não sinto desde a infância. É só que, depois que meu pai morreu, eu fiquei ainda mais antissocial (ou, desconfio, meus traços de TEA se agravaram). 

Tem lugares que não consigo mais frequentar e tem situações que me são insuportáveis, coisas que para outras pessoas, percebo, são super normais. Eu não gosto mais de ir a Mosqueiro, lugar que acredito ter sido o favorito da vida do meu pai, e não suporto mais ir na casa da minha avó materna, falecida, que agora é a casa da minha tia, por exemplo. Percebo que o resto da minha família não tem problema algum com isso, mas eu simplesmente não suporto mais frequentar. 

Enfim, faz 3 anos que não passo mais essa data da maneira que EU gostaria, e, principalmente, com a presença da minha mãe, que é o ponto que mais me pega, porque foi ela que me deu esse dia e a sua presença é essencial nessa data, e em trânsito, em lugares ou situações que não são as minhas ideais. E aí uma crise se instala nos dias anteriores, que nem são tão sentidas no dia em si, mas que me deixam péssima até ele. 

Eu diria que é mais um tipo de depressão pré-aniversário, atualmente. Fico realmente coisada, estranha, fora do ninho, que não é um lugar, é uma sensação. Crise de perguntar, sem ironia, “o que eu tô fazendo da minha vida?”. Eu não tenho respostas, não tenho uma análise, é só que estou passando por esse momento exatamente agora e queria colocar algo pra fora, nem que seja um amontoado de palavras sem sentido. Antes eu nunca vivi um inferno astral, agora eu realmente sinto que vivo, de outra forma, mas não menos impactante. Talvez, até mais.
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Ser do mundo, ser do interior

terça-feira, 13 de maio de 2025


Meu pai era um homem da natureza. Ele buscava sempre esse contato, nas férias em família nunca havia a opção de ir pro mundão, era sempre pra cidades menores, próximas, do interior do Pará. Mesmo quando em Fortaleza, em que moramos por um breve tempo, tenho lembranças, mesmo tão pequena, das estradas cheias de mato e casas humildes vez em quando. Ele era claramente um homem do interior.

Eu já sempre pensei que era alguém da cidade grande. Me chamava mais atenção e desejo as facilidades da vida do que estar em lugares em que o básico já é tudo. E talvez eu seja mesmo essa pessoa da cidade, pois foi onde me criei e usufrui das particularidades, mas esses tempos, coincidentemente quando em Fortaleza novamente, que me puxou mais pro interior, ou ao menos à praia, que era um lugar não tão bem quisto por mim, isso mudou um pouco. Me criei nas praias, sejam as de Fortaleza, sejam as de rio, em Belém. Meu pai era cria da praia, morou grande parte da vida no Marajó, um lugar cercado por água, já que é uma ilha. Eu fui criada na praia mais por esse amor dele pelo lugar do que por minha própria vontade e passei grande parte da vida adulta fugindo do sol & mar, meio que me sentindo exaurida desse ambiente, já que toda e qualquer oportunidade, lá estávamos nós na praia. 

Quando alguém falava em praia, eu já declinava, "não, obrigada". Então agora morando em Fortaleza, retornando ao meu lugar de nascimento, tenho sentido um amor indescritível por praias e pela ideia de singrar o interior. Não tenho nenhum desejo em conhecer a "América", ou mesmo a Europa, apesar desse segundo me chamar mais atenção, só que ando sonhando mais em conhecer a cadência local de sol & mar, as cidades menores. Soube que tem, no interior do Ceará, locais que tem clima de serra, faz frio! Que sonho estar no Ceará e precisar vestir casaco, tomar um chocolate qunte e sentir um clima bem mais ameno que o calorzão pelo qual o estado é conhecido. O melhor de dois mundos, não é? Então que agora me descubro uma grande apaixonada por essa seara que, por um bom tempo, eu fugi de ter contato. 

Acho que a idade vai trazendo essas novidades na gente, que nem imaginamos ser possível. Se alguém me dissesse, em 2020, que em breve eu estaria morando em Fortaleza e desejando uma vida no interior, diria que a pessoa só podia não me conhecer minimamente. Parece que, no final das contas, a gente também vai se (re)conhencendo com o tempo. E que bom que cabe tantas gentes aqui dentro.
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Cada Um Sabe a Dor e a Delícia de Ser o Que É

domingo, 5 de maio de 2024

Existe maior exemplo de mulher que ousou ser quem é? Não tem! 

Às vezes, um pensamento perturbador me consome. O de que gostaria de ser a mulher que consegue viver um relacionamento de aparências. Acabei de me separar e não tem sido fácil. O fácil mesmo seria continuar como estava, mesmo com todas as frustrações. Mas eu sempre soube, e sempre comuniquei, que nunca ficaria com alguém se não fosse por amor. Amor puro e simples, direto. Até que meu amor não foi o bastante, milhões de outras coisas envolvem estar num relacionamento e isso dar certo.

Quando via filmes de mocinhas corajosas que enfrentavam tudo e todos em nome do amor (é, eu sei), ou qualquer outra coisa que as movia no movimento contrário ao esperado, me questionava se eu conseguiria ter essa coragem. Porque ir atrás dos próprios desejos, pra nós, mulheres, é sempre motivo pra perseguição. Muitas foram condenadas, inclusive, mortas. Continuam sendo, todos os dias. Ficava questionando porque eu nunca quis ser passiva, aceitar as coisas como são, viver pela metade. Mas o perigo sempre é tão grande, eu não ia querer morrer, e em nome de quê, afinal? E acabava concluindo que não conseguiria me pôr em risco dessa forma. Que iria acabar por me preservar.

O que eu não sabia era que tem algo dentro da gente que é exatamente quem a gente é, pra além de todas as convenções e expectativas. E, felizmente ou infelizmente, não consigo deixar de ser quem sou. Quem questiona, analisa, filosofa, pensa, deseja, não se contém. Acho que, agora, depois de ter mudado radicalmente, estar com a vida de cabeça pra baixo e estar disposta a lutar pelo meu futuro e independência, posso dizer que eu teria sim coragem. Eu seria como a Joanna D’Arc da minha própria vida, custasse o que custasse. Está custando e eu estou pagando, e não poderia fazer diferente.

P.S.: timing engraçado de ter começado esse post antes do show da Madonna em Copacabana, ter visto pela tv e, depois da catarse que rolou, termina-lo no dia seguinte ao evento que trouxe tanto no que pensar sobre liberdade. Parece que essa postagem fez ainda mais sentido pra mim. A arte salva mesmo, né?

 

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Black Mirror - Ano 6

quarta-feira, 10 de abril de 2024

Comecei a ver Black Mirror ainda em 2015, quando os episódios entraram na Netflix (duas temporada, cada uma com 3 episódios), principalmente pela curiosidade com o furor com que algumas poucas pessoas falavam a respeito. Mas ela não era nada conhecida ainda, quase ninguém falava dela. Eu lembro perfeitamente da sensação de quando vi o primeiro episódio, The National Anthem, uma agonia sem fim! Quando terminei de vê-lo, estava tão chocada com tudo aquilo, que fiquei em séria dúvida se deveria continuar. Isso não é bem inédito na minha vida, lembro de outra série que, tendo visto o primeiro episódio, achei que não conseguiria mais ver, e foi Dexter. A quantidade de sangue já na estreia me deixou muito afetada, então eu parei ali. Meses depois, resolvi dar uma segunda chance, e obviamente fui abduzida pela maravilhosidade com que a série foi se desenrolando, obcecada por todos os percalços por que passava um dos nossos anti-heróis favoritos, Dexter Morgan. Virou uma das favoritas da vida.

Outra em que isso aconteceu, e ganhou o posto de série preferida por um longo tempo foi Sons of Anarchy. O primeiro episódio era de uma violência brutal (para a época ou para mim) e eu não quis dar continuidade. Mas ela ficou tão na minha cabeça que, dias depois, retomei. E me apaixonei completamente. E virou uma das séries pela qual tenho um carinho enorme e também figura dentre as minhas Top 10. Então todas são séries que vão te despertar sentimentos muito contraditórios, exatamente como quando a gente sabe que não devia gostar de ver true crimes da vida, mas simplesmente não consegue parar, até que se vê inteiramente entregue e nada mais do absurdo da coisa te espanta. O ideal seria parar já no início. Depois, te garanto que já era. 

Mas então eu fui lá, e um belo dia dei play no segundo episódio, Fifteen Million Merits, e não dava mais pra voltar atrás. Só fui adiante, e depois de milhões de explosões na minha cabeça, com esses 6 episódios, eu estava arrebatada. QUE SÉRIE! A questão é que essas duas primeiras temporadas foram produzidas para o Channel 4, do Reino Unido, em 2011. Só em 2015 a Netflix comprou e passou a produzir, e aí foi o começo do fim. Além da perda do charme, sarcasmo e insanidade britânicos, os roteiros já não contavam mais com algo que acho que é a essência de Black Mirror: a junção de tecnologia analisada sob a perspectiva filosófica, questões morais e a veia visionária. É um produto que te escandaliza e te faz refletir muito. Dá medo imaginar aquelas realidades. Até que algumas delas finalmente chegaram e nos vimos vivenciando aquelas histórias, obviamente forjadas dentro do que é possível para um produto de entretenimento prever. Era preciso olhar ainda mais adiante e prever quais serão as nossas batalhas futuras. 

Isso, hoje, não existe mais. E não foi uma perda completa, a terceira e quarta temporadas ainda seguem bastante da premissa, o que faz valer a experiência. Eu gosto delas, apesar de já sentir alguma diferença, já havia uma perda de rota. Penso muito que BM, como foi concebida, não atrairia tanto público, visto que muito poucas pessoas teriam estômago pra acompanhar os desafios aterradores impostos aos protagonistas, então a Netflix precisava dar uma higienizada para conquistar uma audiência maior. E foi o que ela fez. Só que chegou num ponto, a partir da quinta temporada, que perdeu completamente o sentido. Você vê que claramente a produção não estava mais preocupada em manter qualquer qualidade, já que foram produzidos apenas 3 episódios, com histórias pífias. Até assistíveis, mas sem primor algum, marca da série. Depois inventaram o filme em que, a cada escolha que você fazia, a história se encaminhava para uma direção diferente. Quando terminei de ver, achei abominável! Não precisava, sabe? 

E então, chegamos na sexta temporada. Eu não estava esperando nada mais porque já chega de decepções. Mas sou uma pessoa que, apesar de relutar bastante, se contagia com as expectativas dos outros. Algumas pessoas se disseram empolgadas, e prometi a mim mesma que a série pode ter mudado e, ainda assim, ser algo legal de acompanhar, fui muito de mente aberta ver. O primeiro me deu uma leve agonia que me surpreendeu. Talvez pudesse rolar uma boa temporada! Mas não, gente. Eu me abri, mas não recebi nada de volta. Posso dizer que gostei mesmo apenas de Beyond The Sea, e Demon 79 eu adorei simplesmente porque o terror contido, a ambientação e o carisma da Anjana Vasan me ganharam, mas sei que, em termos de roteiro, não é nada NADA demais. 

Então Black Mirror, hoje, soa mais como uma sombra do que já foi. Ás vezes, penso que o que não faz mais ela funcionar tão bem é o fato de que estamos vivendo no universo de Black Mirror. Tudo que um dia nos chocou na série, hoje tá mais que acontecendo, está até sendo reinventado. Ou realizado de forma diferente, mas com o mesmo objetivo. Acho que nada é mais Black Mirror que nossa realidade atual e por isso, a série não seja mais o que foi, apesar de eu acreditar que dava sim pra imaginar o que vem depois, como ela fez um dia, e seguir nos chocando. Mas pelo visto, ao menos agora, não vai rolar. Vou seguir vendo? Vou! A esperança é realmente a última que abandona o barco, né? Mas não espero nada, e assim, talvez consiga ganhar algo, insistindo em ver.

OBS: desculpem o atraso, essa postagem tava meio pronta desde que saiu a temporada mas a vida me atropelou, e só hoje resolvi resgatar. 
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Love Bite: Laurie Lipton and Her Disturbing Black & White Drawings - James Scott

quarta-feira, 24 de maio de 2023

Eu gosto de coisas estranhas desde muito cedo na minha vida. A lembrança mais distante sou eu, com meus 6 anos, olhando admirada a capa do álbum Captain Fantastic And The Brown Dirty Cowboy, do Elton John, que meu pai tinha. A capa desse disco me fascinava e dava medo numa mesma proporção, e eu passava muito tempo olhando cada mistura bizarra que o desenho proporciona. Eu lembro de ficar maravilhada, de não conseguir tirar os olhos daquilo. Não sei se ali foi plantada a sementinha do inusitado em mim ou já existia na minha substância primordial a propensão a isso. Só sei que foi assim, e meus gostos por terror, true crime e a excentricidade, de modo geral, fazem parte de um pedaço grande dos meus interesses, das minhas curiosidades, e acredito que todos estejam ligados por essa essência esquisita minha.
Então, que eu andava ali pela aba Filmes do finado legendas.tv (saudade!) e vi um pôster diferente, estranho, nada comum perto do tanto de conteúdo comercial que formava aquele amontoado de imagens, os pôsteres. Eu não sabia nada a respeito daquilo, nada a respeito da artista, mas baixei. E nada me prepararia pro dia em que, tomada pela agonia que acordar todos os dias me proporciona, finalmente, dei play no documentário. Ver as obras da Laurie Lipton é como levar uma rajada de um elemento bizarro em enormes proporções. São obras que abraçam o anormal em todo o seu esplêndor, em toda a sua vibração, é como se intoxicar com litros de perversidade. Eu tô muito fascinada! Queria ver todos ao vivo e tenho certeza que ficaria HORAS contemplando cada detalhe do desenho, e eu me tranformaria na Claudinha de 6 anos, experimentaria exatamente aquela sensação.
"Estamos alimentando a besta que provavelmente nos destruirá."
Esse filme é um curta de pouco mais de 30 minutos, que deixou um gigantesco gosto de quero mais, porque preciso saber tudo a respeito de Laurie Lipton agora! O defeito dele é bem esse: não é um longa. A sensação é de que assisti ao trailer de um filme que vai ser lançado e eu, certamente, vou ver no cinema. Mas penso que, justamente por me deixar tão sedenta de Laurie Lipton, definitivamente o curta alcançou um propósito. E um propósito digno, pois tão pouca coisa é capaz de instigar a gente, nessa época de franquias e remakes desastrosos! Vou deixar a sinopse aqui porque gosto muito dela e acho que tem que ter um tino bem específico e especial pra fazê-las. Abaixo.
Sinopse: Com milhões de pequenas pinceladas de seu humilde lápis, as imagens assombradas de Laurie Lipton buscam respostas para alguns dos temas mais desconfortáveis da nossa cultura. Mas o que a leva a viver uma vida isolada em desenhos não é preto nem branco.
Essa última arte, definitivamente, foi minha favorita, dentre o pouco que vi do trabalho da artista, principalmente levando em conta a breve referência que Laurie fez a ela, no documentário. Por isso, a deixei pro final, pra fechar com o que achei de mais assombroso e incessante no mundo, em face da minha própria vivência. Abaixo.
Love Bite: Laurie Lipton and Her Disturbing Black & White Drawings
Dirigido por James Scott
Estados Unidos, 2016
Em infelizmente indisponível nos streamings, apenas por meios alternativos.
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Vessel - Twenty One Pilots

sexta-feira, 12 de maio de 2023

Escutar Vessel dói fisicamente. Quase como escutar qualquer uma do Keane. Me transporta diretamente pra 2020, uma Cláudia desesperada por manter os escombros de uma construção intactos. Houve muito sofrimento naquele ano, e eu tentei de formas desesperadas me manter de pé. Cometi muitos erros tentando acertar, e acertos que pareciam erros. Mas o álbum não me faz mal, quem faz isso sou eu mesma. Ele é lindo, de uma banda que eu amo como se fosse um lar, e por isso sigo escutando ele como que para manter todas as Cláudias que existem, juntas. Mesmo as partes do qual eu tento desviar o olhar como quem passa por um acidente de trânsito.

Vessel
Twenty One Pilots, 2013
Disponível em Spotify.
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Wake Up - Olivia Wilde

quinta-feira, 11 de maio de 2023


Vi esse curta da Olivia Wilde hoje e como eu gosto do trabalho dela! E achei que é um respiro, uma forma de a gente refletir sobre o uso que a gente faz das redes. Sei que muitos criticam quando alguém diz pra sair da internet, e concordo que não tem mais como a gente estar 100% fora dela, mas acredito muito no equilíbrio, e sei o quanto é difícil construí-lo. Mas que tentemos e nunca nos esqueçamos que, dentro ou fora da tela, o que realmente importa são conexões sinceras e profundas. Sobre o curta, a Margareth Qualley é a maior dessa geração e a minha favorita. Tudo o que ela faz ganha peso. Imperdível, sempre!
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"Eu so patetica"

quarta-feira, 10 de maio de 2023

Dias atrás eu entrei em crise, por causa de uma corrente do Instagram. Foi aquela mesma dos personagens com a sua energia. Uma coisa que preciso dizer sobre essa corrente é que nunca pensei em mostrar as qualidades dos personagens como a representação de quem sou. Era sempre guiada pelos defeitos, tipo o Chidi(com quem muito me identifico), de The Good Place, que é uma pessoa tão perfeccionista que muitas vezes trava por medo de fracassar(fico apavorada só de escrever essa palavra). Então, não era sobre ser 100% o personagem, mas sobre algumas características que eles tivessem que me fizessem sentir representada. E pensei logo nos defeitos. Por que se tem uma coisa que eu sou, é exigente comigo mesma e sempre acho que tô fazendo tudo errado, então é mais fácil elencar minhas imperfeições, sempre! 

Só que a primeira personagem que me veio a cabeça de colocar na minha lista foi a Fleabag. Se você fizer uma busca com o nome dela no meu perfil do twitter, vai me ver umas três vezes, no mínimo, comentando esse fato. Era uma coisa que eu confidenciava pro meu seleto grupo de seguidores com um pouco de vergonha, mas com muita sinceridade. E nunca vi ninguém falar isso na minha bolha, então eu realmente achava que tava passando vergonha na internet, que é algo que faço bastante. Nunca quis parecer legal quando falei sobre isso, porque eu definitivamente não sou legal. Não sou engraçada e espirituosa como ela, pelo contrário, sou séria demais. Mas tem uma coisa que eu sou demais Fleabag: perdida. Tudo que ela apronta é muito algo que eu faria. Eu amargaria lutos consecutivos como uma penitência. Teria daddy AND mommy issues. Sofreria com todas as lembranças da minha melhor amiga "suicida". Me apaixonaria pelo padre e alimentaria esse sentimento só pra me ver falhar em mais uma coisa. Não haveria controle pros problemas que arranjaria pra mim mesma(e há? #questões). Autodestrutiva, autossabotadora. Ninguém me ensinou a controlar. Aliás, é o contrário: me ensinaram tanto a me conter, me reprimir, me disseram tantas vezes que eu era "geniosa demais" que eu meio que virei um buraco negro. Não consigo mais me segurar. Tão intensa que nada me escapa, não sobra espaço pra refletir. Não quero mais perder nada, quero sentir e viver tudo. Também não vou fazer disso um momento de mea culpa em que percebo que não posso mais viver desse jeito e que vou me esforçar pra mudar, porque não vai adiantar. Talvez um dia eu consiga mudar isso, mas não vai ser hoje, nem amanhã. 

 Então ser a Fleabag, pra mim, era admitir que eu cometo muitos erros(mesmo que com algum carisma), admitir que sou muito humana, uma pessoa meio merda. Mas então apareceu uma, duas, dez pessoas se identificando com ela e eu entendi o recado: era bonito se identificar com a personagem! Aquilo me chocou demais! Dou um sorriso enquanto escrevo isso. Como somos patéticos, né? Entrei numa espiral de: se a visão que tenho de mim mesma é distorcida e a visão dos outros sobre mim também o é, QUEM EU SOU? Não posso com essas coisas muito filosóficas porque eu começo a viajar demais. Na época da faculdade, tive um semestre de filosofia e foi um sofrimento. Odiava as aulas, jurava que estava atrás de todo mundo porque nada fazia sentido, mas sempre tirava as melhores notas. O que prova que eu sou viajada demais mesmo, não é nem tipo. Tava me achando toda especial, o alecrim dourado, única(mas sem arrogância alguma, por favor, entendam), e pra quê? Ter um personagem que tem muita a sua vibe não é nada. Não tem uma lição aqui, apenas que no fim das contas, ninguém quer parecer comigo, e só eu pareço comigo mesma. Só eu tenho a minha energia em 100% do tempo. Então isso tudo é pra concluir que essas porcarias de correntes acabaram pra mim(ou não, porque como vocês leram nesse texto, eu tenho umas atitudes meio merdas mesmo e segue em frente, né?)
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After Hours - Martin Scorsese

sexta-feira, 5 de maio de 2023

Eu dei play nesse filme esperando algo singelo, no estilo carta de amor a NY, mas não foi nada disso o que aconteceu. E eu tô bastante chocada! Juro! Acredito que, por conta da meu transtorno de ansiedade, o filme bateu ainda mais pra mim. Porque a cada nova situação que parece comum mas que na verdade se mostra uma ocorrência bizarra na vida do Paul, eu ficava completamente apavorada! Tem uma cena, já pro final do filme, que pensei que realmente o Scorsese havia, um dia, se metido com terror. O filme não é classificado como terror mas eu vou sempre considerar ele terror. Porque assim como em All My Friends Hate Me(2021)(que indico demais, também, mas esse se declara terror), a forma como as coisas acontecem seria o que de pior poderia acontecer comigo, sendo essa pessoa que tem TAG e odeia brincadeiras de mal gosto, mesmo quando elas vem trazidas pelo Universo.
O Griffin Dunne era muito meu crush quando eu era criança e não tinha nome pra essa fascinação que a gente sentia por um famoso. A gente só dizia que "ele é meu" e ponto. Todas as nossas amiguinhas estavam cientes de que éramos apaixonadas por tal celebridade. Em Who's That Girl(1987), o personagem dele usava óculos de grau, o que deixa qualquer homem uns 200% mais gostoso. Ele era lindo demais!
❝ Eu só quero viver. ❞
Assisti esse filme de madrugada, no escuro, enquanto M. dormia, o que acho que foi acertadamente uma forma de absorver ainda mais o que vi. Fiquei imaginando que tudo aquilo devia mesmo estar acontecendo a Paul Hacket, naquele exato momento em NY, enquanto eu assistia, como um reality show que todo mundo ia dizer que era exagerado nas situações e, consequentemente, achar ruim. Mas como nada faz muito sentido quando se trata dos pavores criados por meu cérebro descompensado e dos meus gostos, eu acreditaria em tudo e seguiria achando muito bom. After Hours
Dirigido por Martin Scorsese
EUA, 1985
Disponível em Looke e NetMovies.
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It'll Pass

quarta-feira, 3 de maio de 2023

Ola
Hoje foi um dia bem merda. Maratonei as duas temporadas de Fleabag. Pela milionésima vez. E essa ainda dói como se fosse a primeira vez.
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Sweetie - Jane Campion

terça-feira, 2 de maio de 2023

Esse fim de semana vi este filme e me pegou demais! Conviver de perto com uma pessoa que não tem limites, que só pensa em si e bagunça tudo ao redor...eu sei bem como é. Mas não é apenas isso, o filme mesmo, é belíssimo! A fotografia, os personagens, as relações familiares...eu gostei tanto de tudo!
❝ As ilusões não desaparecem. Elas se tornam mais sutis. ❞
Vi alguém reclamar que o título é uma mentira, mas me pergunto se, depois de vê-lo, essa pessoa absorveu alguma coisa. O título é perfeito porque Sweetie é a força motriz de toda ação no filme, tudo acontece por causa dela. Sweetie não precisa ser a protagonista pra deixar bem claro que a vida de todos é transformada, para o bem e para o mal, por sua existência. O que torna ainda mais genial a escolha desse nome.
Ao final, a diretora dedica o filme a sua própria irmã. Fiquei curiosa pra saber se existe alguma verdade na forma como as irmãs se relacionam, no filme, com a conexão da Jane com a Anna(irmã). Tenho essa mania de querer saber de onde os artistas tiram inspiração para suas obras, e não consigo crer que não tenha alguma ligação com sua realidade, mesmo que eles consigam subvertê-la tanto a ponto de não parecer nada com o que vivenciaram. Inclusive, meu sinônimo favorito para a palavra arte é justamente subversão. Arte subversiva me fascina.
Sweetie
Dirigido por Jane Campion
Austrália, 1989
Disponível em Mubi.
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